11 de julho de 2026
OUTRO LADO

Homem baleado por empresária em Franca nega que invadiu residência: 'ela abriu o portão'

Por Alex Henrique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Alex Henrique/GCN
Pespontador se recupera em casa após ser baleado por empresária na noite de sábado, 26, em Franca

O homem de 40 anos atingido por três tiros disparados pela empresária Angela Carla Gomes Pereira na noite de sábado, 26, negou em entrevista ao GCN/Sampi nesta segunda-feira, 28, que estivesse armado. Ele ainda rebateu a declaração de que tenha ido até o quarto como foi relatado, alegando que permaneceu apenas na garagem da casa.

Alvejado por três dos diversos disparos desferidos pela empresária, ele se recupera em casa após ter sido socorrido à Santa Casa e atendido no hospital logo após o fato. Apesar de pedir para não ser identificado, fez questão de contar sua versão do ocorrido.

Segundo o rapaz, que trabalha como pespontador, havia uma desconfiança de que ele estava sendo traído. Para isso teria lançado mão de um rastreador para verificar a localização da companheira. O sistema o teria levado a um endereço errado. “Eu estava procurando minha esposa e meu filho. No meu celular indicava que era o local onde eles estavam, e então fui até a casa”, disse.

Em seguida ele dá outra informação divergente com relação ao depoimento de Angela: ele argumenta que foi ela quem abriu o portão. “Eu gritei o nome dela (da esposa), e o portão abre. Aí apareceu a mulher que atirou em mim. Ela estava com uma criança e achei que fosse o meu filho. Cheguei mais perto e vi que não era ele. Ela então entrou e já voltou atirando sem nem conversar. Atirou umas três vezes e eu saí correndo”.

A perseguição continuou por mais alguns quarteirões da Vila Isabel, bairro da Zona Leste de Franca. O homem já havia sido atingido no pé esquerdo e os disparos continuaram após Angela sair da garagem com sua caminhonete e fazer uma manobra de ré até o cruzamento das ruas Mato Grosso e Espírito Santo. “Ela deu tiro o tempo inteiro. Eu tentava falar com ela, mas não teve conversa”, afirmou.

Outro ponto discordante nas declarações do rapaz em relação ao que disse a empresária foi sobre portar algum objeto na cintura. “Eu não estava armado, não tinha nada na cintura. Só estava com meu celular e ele estava na mão, não escondido. E jamais eu fiquei nas costas dela, eu nem entrei na casa, fiquei só na garagem. Ela saiu correndo para dentro e quando voltou já estava com a arma”, rebateu o pespontador.

Ele também relatou o pânico vivido enquanto foi alvo dos tiros de pistola: “Só conseguia pensar em Deus. Só sentia o cheiro da pólvora e o barulho e corria. Não dá pra pensar em mais nada. Tive muito medo, mesmo. E não sei pra que tanto tiro”.

Empresária foi liberada
Angela foi liberada na manhã desta segunda-feira, 28, após passar pela audiência de custódia com o Poder Judiciário. Os detalhes da sessão não foram divulgados. A defesa da acusada não quis conceder entrevista sobre as argumentações referentes ao caso. Ela responderá, a princípio, em liberdade pelos crimes de lesão corporal, porte ilegal e disparo de arma de fogo.

O argumento da empresária para agir em defesa própria com sua pistola por possuir licença de CAC (colecionador, atirador e caçador) também foi equivocado. O registro – que ela perderá após a prisão em flagrante –  dá direito à compra de armamento, porém não permite o porte e seu uso em via pública.