11 de julho de 2026
CENTENÁRIO

Morador de Franca completa 100 anos e comemora a saúde: 'Nunca pousei no hospital'

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Alaor completou 100 anos nesta semana

Natural de Ibiraci (MG), Alaor de Souza, morador da Vila Nicácio, em Franca, completou 100 anos de vida nesta quarta-feira, 23 de agosto. O centenário tem cinco filhos, 12 netos e 16 bisnetos. Com saúde, lúcido e com um memória impecável, ele celebra a vida e uma proeza, como diz, “Nunca pousei no hospital”.

Filho mais velho de oito irmãos, o pai era professor e a mãe trabalhava na lavoura. Alaor é autodidata e aprendeu a ler e a escrever sozinho, porque teve de começar a trabalhar muito novo, aos 12 anos de idade, para ajudar em casa.

Alaor cresceu na região de Ibiraci e sempre trabalhou com serviços da roça, nas lavouras. Aos 27 anos, se mudou para Patrocínio Paulista, onde continuou trabalhando em fazenda por cinco anos. Neste período, ele se casou com Terezinha Gomes de Souza, hoje com 92 anos. Os dois têm cinco filhos.

Com 32 anos se mudou para Franca com a família e morou na avenida Brasil por um período. Depois se mudou para o bairro Vila Nicácio, onde reside atualmente.

“Tinha o trem de ferro, apitava aqui. Era o trem mais bonito. As pessoas que pagavam o saco de linha, as varas de bambus e iam para Rifaina pescar, na Jaguará, por 3 'mirréis' pra ir e pra voltar. Quando tinha jogo, pegava o trem e ia para Ribeirão Preto. Nós assistíamos os jogos, comprávamos um pastel e, de tarde, pegávamos o trem de novo pra voltar”, afirma Alaor, relembrando a época que Franca tinha a ferrovia da Alta Mogiana.

O centenário celebra a alegria e a sua saúde e comenta: “Nunca pousei no hospital, sempre fui e saí no mesmo dia”, brinca Alaor.

Uma das suas paixões é a música. Ainda jovem montou uma banda com outros “companheiros”, relembra carinhosamente dos seus amigos, e diz que foi uma época muito boa da sua vida.

Alaor aprendeu a tocar violão, violino e bandolim. “Quando eu vejo tocar aquelas músicas que eu tocava, eu até desligo a TV. Sinto aquela saudade, parece que aqueles companheiros que morreram estão com a gente”, comenta.

Alaor tem ascendência italiana. Seu pai morreu aos 53 anos e a mãe, aos 79 anos.

Antenado com os fatos do cotidiano e as notícias, ele relembra a época impressa do jornal Comércio da Franca. Sempre acompanhou o noticiário diário da cidade. “Eu buscava jornal e fazia caminhada. Até 94 anos eu sempre comprava o jornal na banca da Jussara. Assinei por muito anos. Depois que parei de trabalhar, eu lia o jornal quando chegava, era a coisa mais boa. Até hoje acompanho a rádio, o Corrêa Neves Jr. Ele é muito inteligente, fora de sério”, afirma o mineiro que é francano de coração.

Além da música, Alaor também é apaixonado pela Francana. Segundo ele, "toda vida" acompanhou o time de Franca e até hoje faz questão de saber como anda, se está vencendo ou perdendo.

“Único time que eu gosto da minha vida. Eu vinha a cavalo assistir ao jogo, voltava de madrugada, pegava a enxada e ia trabalhar. Acompanhei a vida inteira e até hoje fico esperando para ver o jogo. Passei raiva com a Francana, e passo até hoje. O dia que (o time) perde, não como. Quando a Francana subiu, eu estava em um táxi em São Paulo. A Francana ia jogar domingo pra ver se iria subir ou não. Eu lembro como se fosse hoje, e a Francana ganhou naquele dia”, descreve relembrando a época de glória do time francano.

Desta vida, dos seus 100 anos, Alaor revela que tem gratidão pela família e diz que não trocaria as experiências de vida que teve, os desafios de uma pessoa humilde.

"A gratidão por ter tido sempre saúde".