11 de julho de 2026
RETROCESSO

Estudante da Unesp de Franca sofre ameaças neonazistas e registra BO na polícia

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Reprodução/Redes sociais
Lê Magalhães segura boletim de ocorrência registrado na CPJ

O coordenador do Centro Acadêmico de Direito da Unesp de Franca (Cadir), Lê Magalhães, sofreu ameaças neonazistas e LGBTfóbicas em seu e-mail institucional na última quinta-feira, 17. Um boletim de ocorrência foi registrado nesta segunda-feira, 21.

Intitulado “Manifesto contra o Cadir”, o e-mail traz uma imagem conhecida pela sigla “SS”, abreviação de Schutzstaffel. O termo alemão significa “esquadrilha de proteção” em português. Foi um grupo fundado com o objetivo de proteger o ditador Adolf Hitler e os dirigentes do Partido Nazista, em 1925.

O brasão é seguido de umas das frases célebres do Führer alemão: “Faremos daquela colônia de mestiços e ignorantes uma nova Alemanha”.

Outras duas imagens aparecem rabiscadas na sequência: uma da luta do Centro de Direito em prol da comunidade LGBTQIAPN+ e outra contra os movimentos antifascistas realizados pelos unespianos.

O e-mail ainda contém um texto estimulando a “purificação da raça humana”, com falas exaltando a raça ariana. “Não creio que viemos dos macacos, mas creio que vamos nessa direção. Mas se, em vez de reproduzir entre si, a população brasileira estivesse em condições de subdividir ainda mais os elementos daninhos da atual constituição étnica, fortalecendo-se através de alianças de maior valor com as raças europeias, o movimento de destruição observado em suas fileiras se encerraria, dando lugar a uma ação contrária”.

Boletim de ocorrência
Lê Magalhães registrou um boletim de ocorrência na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca. No documento consta que o remetente do e-mail foi rnovelinocrespo@protonmail.com no último dia 17.

A estudante afirma no boletim que “nunca teve nenhum problema” com o remetente do texto. O caso foi encaminhado para o Departamento de Polícia e será investigado.

Lê Magalhães
Através das redes sociais, o coordenador do movimento estudantil se posicionou sobre o ocorrido. “Vamos continuar sendo a Cadir de luta antifascista, antirracista, LGBTQIA+ e feminista, com todo o peso da nossa entidade”.

À reportagem do Portal GCN/Rede Sampi, Lê disse que “tentaram cessar a história e toda a força do nosso Centro Acadêmico de Direito (...) não vão nos intimidar, que a gente não vai arredar o pé da luta, e que vamos exigir das autoridades as devidas ocorrências sobre o ocorrido e a responsabilização sobre esse crime”.

Além do boletim de ocorrência registrado na CPJ, as ameaças foram registradas na ouvidoria da universidade, e o câmpus foi informado sobre o ocorrido.