09 de julho de 2026
BAGUNÇA

'Aumentando mais a cada dia', dizem vizinhos do Centro Pop sobre moradores de rua

Por N. Fradique / Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Pedro Baccelli/GCN
Moradores de rua próximos às barracas instaladas na calçada do Centro Pop, na Vila Formosa

A sensação em Franca é de que o número de moradores em condições de rua aumenta a cada dia. Quem anda pela cidade pode constatar vários focos de barracas montadas em áreas públicas e até debaixo de viadutos. As barracas alojadas na calçada em frente ao Centro Pop, que fica na rua Coronel Tamarindo, na Vila Formosa, é o retrato mais fiel dessa realidade.

Em maio deste ano, foi realizada uma operação conjunta entre a Prefeitura de Franca e as polícias Militar e Civil, que resultou na limpeza geral da área, com a retirada das tendas. A ação, que seria um alívio à população do bairro, durou apenas poucas horas. Hoje, o local está novamente tomado pela sujeira, com objetos de todo tipo espalhados pela via pública e muitos cachorros.

O pintor automotivo Henrique Flavio Souza, de 32 anos, relata importunação diariamente, além da sensação de insegurança. “A Polícia e a Prefeitura vêm, recolhem as barracas, mas é questão de uma semana e monta tudo de novo, e continua essa baderna, essa sujeira na rua. A gente fica até meio assim... se a gente não dá dinheiro, eles xingam a gente. Cada dia que passa está aumentando mais”, disse ele, nesta segunda-feira, 21.

A calçada do Centro Pop apresenta um cenário assustador com enormes barracas de lonas de plásticos. O pintor acredita que muitos frequentadores não são originários de Franca. “Se você pergunta para os caras de onde eles são, eles respondem que são de Belo Horizonte (MG), que é lá de não sei da onde. É tudo cara de fora. Eles vêm pedindo dinheiro. Chega aqui e vem pedir dinheiro. Isso acaba atrapalhando. É gente aqui o dia inteiro. Estava tendo operação da polícia aqui, mas agora sumiu e quase não se vê viatura aqui mais, é uma ou outra”.

Henrique disse que já teve sua oficina invadida com um homem portando um facão. O estabelecimento fica próximo ao equipamento social. “Uma vez teve uma briga aqui. Um cara com um facão e com um pedaço de caibro entrou em minha oficina, que fica com o portão aberto. O cara entrou aqui dentro correndo com um facão, fui falar com ele para sair, ele disse: ‘chama a polícia pelo amor de Deus’. Tive que ligar para a polícia. Todo mundo ligou e virou aquele tanto de polícia aqui na porta. Tirou ele para fora”.

O aposentado José Olavo Gilberto, de 78 anos, que também mora na rua Coronel Tamarindo, um quarteirão do Centro Pop, disse que não há como passar na calçada da rua e que há muitos cães no local. “Na calçada você não consegue passar, tem que andar na rua. A sujeira é muita. Agora, além de passarinho e pombinho, está descendo urubu também. Aqui em casa não sei mais o que faço. Os cachorros ficam aqui na frente latindo à noite. A gente não dorme. Fica aqui só escutando barulho”.

José Olavo disse também que muitos dos que ficam alojados nas barracas em frente ao equipamento são de fora. “Outro dia estávamos chegando em casa, eram 19h30, apertaram a campainha e disseram: ‘cheguei de Belém do Pará, não tem lugar e estou com um fome”, relata.

O aposentado critica os políticos da cidade. “Nós já fomos e ele (o prefeito Alexandre Ferreira, MDB) não nos atendeu. Convidamos para ir à Câmara, só apareceram quatro vereadores. Agora os outros não passam aqui não, porque vão escutar coisas que não precisam escutar. A polícia passa e não pode fazer nada. Fica difícil”, finalizou o morador.

Prefeitura de Franca
A Prefeitura foi procurada nesta segunda-feira para se posicionar como andam as ações para buscar uma solução para a questão, e para atualizar o número de moradores em condições de rua na cidade, mas não se pronunciou até a publicação deste texto.

Segundo a Secretaria de Ação Social, pelo menos 620 pessoas em situação de vulnerabilidade social estavam cadastradas no CadÚnico no mês de maio deste ano.