11 de julho de 2026
VIOLÊNCIA

Vítimas da intolerância: agressões por banalidades se tornam rotina em Franca

Por Alex Henrique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
A aposentada Cândida do Carmo Rosa: vítima da intolerância cada vez mais frequente entre as pessoas

Agressões de forma gratuita e sem qualquer motivo são cada vez mais uma realidade do cotidiano brasileiro. Um episódio banal, como uma simples fechada no trânsito pode desencadear um ato de verdadeira selvageria. A semana que passou foi marcada em Franca por dois episódios claros deste comportamento tão reprovável, mas infelizmente tão comum nos últimos tempos.

A aposentada Cândida do Carmo Rosa, de 79 anos, que decidiu trocar a agitação da capital paulista por uma vida mais amena no interior, foi vítima de um ato reprovável de intolerância dentro de um ônibus, quando viajava de São Paulo para Franca no fim de semana passado. Uma passageira sentada à sua frente, “incomodada” com a movimentação da mulher que usa uma prótese na perna, lhe deu um soco no olho sem sequer discutir ou argumentar.

Durante a viagem, a idosa ficou com pouco espaço depois que a passageira reclinou sua poltrona no ponto máximo, não conseguindo se mexer sem tocar no encosto à frente, o que gerou o desentendimento. “A prótese incomoda e eu preciso me movimentar. E ela não aceitou. O passageiro de trás veio segurar ela, senão me bateria mais”, disse.

A revolta da idosa foi ainda maior, pois a agressora também fez insultos de cunho racista. “Ela falou ‘não quero nem saber, sua nêga (sic)’. Eu respondi ‘sou nêga e não te devo nada’. A gente não merece isso. Achei muito triste, foi muito humilhante. Muito mesmo”, lamentou.

Repercussão ainda maior teve o caso envolvendo uma professora da rede municipal de ensino de Franca, que denunciou a agressão de uma mãe de aluno ocorrida no último dia 9, no estacionamento da Escola Municipal "Domênico Pugliesi", na Vila Santa Maria, zona Oeste da cidade.

A educadora prestou queixa no dia seguinte, afirmando que a mulher teria lhe tirado de seu carro à força e lhe dado socos, fato testemunhado por outros profissionais da unidade. A acusada confirmou que puxou a professora pelo braço, mas nega que tenha lhe batido, e diz que é a vítima do caso que persegue seu filho.

Com o caso viralizado nas redes sociais - e rendendo vários comentários de tom agressivo - a mãe se sentiu ameaçada, e também registrou um boletim de ocorrência contra algumas pessoas que ela alega terem lhe hostilizado pelo meio virtual e lhe exposto indevidamente.

Na última quarta-feira, 16, um grupo de servidores ligados à Educação municipal protestou em frente à sede da Secretaria da área pedindo segurança nas escolas. O assunto ainda rende discussões quase duas semanas depois.

“Não conseguem esperar mais”

Para o estudante de psicologia Anselmo Carrijo, integrante do núcleo de atendimento comunitário da Unifran (Universidade de Franca), falta hoje às pessoas um olhar mais sensível sobre o próximo.

“O que notamos no dia a dia são as pessoas cada vez mais ansiosas, intolerantes mesmo com o movimento de não viver o momento presente, o agora. Pensa-se sempre na busca, o que vai vir, e se esquecer de viver o momento. As pessoas não conseguem esperar mais”, disse.

Para Carrijo, o exercício da empatia, o colocar-se no lugar do outro, está cada vez mais esquecido. “As pessoas não têm mais paciência e respeito ao outro. Não se pensa no outro, só em si. Esquece-se de que o outro também tem uma história, tem uma dor, tem uma alegria, e as pessoas estão hoje muito centradas apenas nos próprios problemas. Isso é um motivo muito forte de intolerância, não permitir que o outro receba o que é de direito dele”.