Oito dias após ser acusada de agredir uma professora dentro da Escola Municipal "Domênico Pugliesi", na Vila Santa Maria, nas proximidades da Vila São Sebastião, zona Oeste de Franca, a mãe de um aluno da unidade falou com exclusividade ao Portal GCN/Sampi.
Sob a condição de não ser fotografada e não ter seu nome completo publicado, a dona de casa Daniela, de 42 anos, recebeu a reportagem no escritório de seu advogado, Thiago Granzotti, na manhã desta quinta-feira, 17. Ela negou que tenha agredido com socos a professora de seu filho de 10 anos ou que tenha jogado um tijolo no carro da vítima.
"Puxei, abri a porta do carro dela, ela desceu do carro - eu não tirei ela do carro, ela desceu do carro. Eu segurei no braço dela e falei [...]: 'Que crente do capeta é você?'", relatou a mãe, dizendo estar arrependida, ter errado em entrar no estacionamento da escola e que o filho está sofrendo com crises de ansiedade, depois da confusão do último dia 9.
Segundo ela, tudo aconteceu porque seu filho seria perseguido e humilhado pela professora. "Ela olhou no meu olho e falou assim: 'Capeta endemoniado é seu filho'. Nessa hora, fiquei nervosa e segurei o braço dela um pouco mais forte, e acredito que tenha ficado um pouco roxo”, completou Daniela.
Início da confusão
Daniela relata que, na quarta-feira da semana passada, foi à escola buscar o filho e, quando chegou, foi comunicada pelo orientador que o menino teria dado um "carrinho" - colocado o pé na frente - em um colega no pátio da escola.
Segundo a mãe, ela questionou se a outra criança havia se machucado e que poderia prestar qualquer auxílio, caso fosse necessário, e até falar com a mãe da criança para pedir desculpas.
Neste momento, enquanto falava com o orientador, a professora da criança teria aparecido, seguindo para o estacionamento da escola, mas antes, teria acenado e dito: “E na sala de aula também, o comportamento está difícil”.
A mãe relata que a professora continuou descendo ao estacionamento e não parou para falar sobre o comportamento do filho. “Eu conversando com o orientador ainda, olhei pra ela e falei: 'Qual é o seu problema com o meu filho? É só ele na sala de aula?'. Aí ela pegou e falou: 'São todos, só que o seu é o pior'”.
Segundo Daniela, ela terminou a conversa com o orientador e, ao ir embora rumo à sua casa, no mesmo sentido do estacionamento, teria escutado a professora falar sobre seu filho com outra pessoa. Disse que não sabia qual era o assunto, que apenas teria escutado o nome do menino.
A confusão
“Entrei no estacionamento. Confesso a minha falha, eu errei sim de ter entrado no estacionamento. Puxei, abri a porta do carro dela, ela desceu do carro - eu não tirei ela do carro, ela desceu do carro. Eu segurei no braço dela e falei: 'Vem aqui agora. Qual é o seu problema com meu filho? Quero que você fale, olhando na minha cara, porque desde fevereiro a gente está tendo essa desavença. Eu peço: 'Troca o menino de sala, porque você não gosta do meu filho'", disse a mãe, que continuou:
"Questionei assim pra ela: 'Que mulher é você, que crente do capeta é você?'. Expressei dessa forma, errei de ter expressado dessa forma. Eu, como mãe, que venho aguentando isso faz tempo, acredito que qualquer mãe faria a mesma coisa no meu lugar. Uma mãe que é mãe de verdade faria qualquer coisa no meu lugar... Ela olhou no meu olho e falou assim: 'Capeta endemoniado é seu filho'. Ela questionou dessa forma. Nessa hora, eu fiquei nervosa e segurei o braço dela um pouco mais forte, e acredito que tenha ficado um pouco roxo”, narrou Daniela.
Segundo ela, em momento algum, tiveram socos e pedradas contra a professora ou seu carro.
“Tiveram professores em volta, sim, tentando me acalmar. Teve muita discussão verbal. Eu falei muita coisa pra ela e ela falou muita coisa pra mim também. Saíram as diretoras, as professoras, e falavam para me acalmar. Em momento algum, nenhuma professora teve que me pôr a mão, me segurar - como estão dizendo -, me tirar de cima dela, não teve isso. Elas não precisaram me segurar, porque não teve isso. O orientador, a todo momento, me chamando: 'Vem mãe, vem mãe”. Até então, eu fui subindo pro escritório da escola, sentei com a diretora, com o orientador e outro lá da escola. Sentei com eles, me deram um copo de água com açúcar, porque estava muito nervosa”, disse Daniela.
A mãe do aluno narrou que saiu por volta de 18h20 da escola e que a professora ainda estava no estacionamento. “Se eu espanquei essa mulher dessa forma igual estão falando, ela não ia conseguir nem sair dirigindo o carro dela. Pra mim, o que aconteceu, qualquer mãe faria a mesma coisa no meu lugar, porque eu avisei, eu vinha reclamando fazia tempo, já vinha pedindo, já fiz reuniões várias vezes com a coordenação”, disse.
A mulher afirmou que, depois de tudo, foi embora para casa com filho a pé, porque mora perto da escola. Disse que não fugiu da polícia e que a criança presenciou toda a confusão.
Pedidos para trocar de sala
Daniela revelou que pediu cerca de sete vezes para que o filho fosse trocado de sala de aula, porque não conseguia acompanhar as atividades e era constrangido por conta das lições. Mas, segundo ela, a coordenação pedia para dar mais uma chance e não o trocava de sala.
“(A lição) de todo mundo estava bonitinha, só a dele que não. Passava vergonha no menino, falava alto com ele. Eu sempre que recebi bilhetes, eu compareci (à escola). Nas reuniões, ela falava de mãe a mãe, quando chegava perto de mim, meu coração até disparava, eu já sabia que coisa boa ela não iria falar dele. O problema foi ela não se identificar com ele, ela não teve habilidades para com o jeitinho dele, de ser hiperativo”, disse a mãe.
Arrependimento
“Eu me arrependo de ter pegado no braço dela. Só que ela também não deveria ter intrometido no assunto meu e do orientador, ter exposto daquela forma. Se ela tivesse chegado perto de mim, tivesse falado assim: 'Mãe, conversa com seu filho'... Mas ela foi falando alto", narrou Daniela.
"A única prova que tenho é o orientador. Se ela não tivesse intrometido no assunto, nada disso teria acontecido. Ela fez isso aí... Eu já venho com acúmulo de sentimento: pegando no pé do meu filho, constrangendo ele, humilhando ele, às vezes, por causa de uma continha”, continuou.
“Sempre respeitei a autoridade das professoras, nunca tirei a autoridade de ninguém de chamar a atenção dele”, relatou a mãe. Segundo ela, o filho já passou por outras escolas e sempre foi um menino bom, que nunca teve problemas com professoras e que, muito menos, agrediu alguém.
Ameaças
De acordo com a Daniela, ela procurou a CPJ (Central de Policia Judiciária) para registrar queixa contra os comentários feitos contra seu filho nas redes sociais, por diferentes pessoas.
“Não fiquem falando que meu filho não é digno de estudar na rede municipal, que meu filho é estilo ‘lúcifer’ - que meu filho é um capeta, é um demônio, que ele vai virar um marginal. Foi por isso”, afirmou Daniela, acrescentando que os prints desses comentários foram apresentados no registro da ocorrência.
Mudança de escola, afastamento e tratamento
Daniela disse que esteve por duas vezes depois do fato na Secretaria de Educação e que ficou acertada a troca do filho para outra unidade de ensino.
“Meu menino está doente, não está dormindo, ele chora, dá crises de ansiedade, perde o ar na hora de dormir. Ele não está comendo, está com olho fundo, vomitando”, afirmou a mãe.
O pai da criança, que também acompanhou a entrevista, informou que pediu alguns dias para que a criança ficasse em casa, para se acalmar, e também porque estão com medo de ele sofrer represálias, apontamentos e xingamentos na escola.
Segundo ele, a criança está fazendo as atividades em casa e sendo acompanhada pelos pais. Além disso, está passando por tratamentos psicológicos.
Ao final da entrevista, Daniela ressaltou que não é fisiculturista, como está sendo divulgado nas redes sociais, e que atualmente é dona de casa.
Transferência
A Prefeitura de Franca foi procurada para comentar sobre o pedido de transferência de sala do filho de Daniela e respondeu que a Secretaria de Educação não tem registro de solicitação de transferência do aluno.