A vereadora Lurdinha Granzotte (União) repercutiu a iniciativa do Ministério Público do Estado de São Paulo, que quer a retirada do regimento interno das Câmaras Municipais a obrigatoriedade da frase: “Com a proteção de Deus, declaro aberta a sessão”. Várias Câmaras de cidades do Estado já foram notificadas, inclusive a de Franca, na semana passada.
Católica, Lurdinha disse que não poderia deixar de expressar sua opinião sobre o assunto. “Isso nem precisa ser lei, obrigatório, é natural. Tudo que nós fazemos é pela graça de Deus”, disse, ao usar a tribuna na sessão desta terça-feira, 15.
Se mostrando revoltada com a proposta do MP, a vereadora disse: “Queria mandar uma mensagem para esses promotores públicos, para que eles saiam de seus gabinetes e vão procurar ajudar a população com coisas mais sérias. Tipo: falta de moradia e vagas em hospital. Quantas coisas nós estamos sofrendo, como violência, falta de segurança. Então, procurem fazer algo mais sério, procurem trabalhar beneficiando a população”, acrescentou.
A vereadora também sugeriu que o MP poderia propor alguma solução para a questão dos moradores de rua que, segundo ela, tomam conta da cidade.
“O Ministério Público poderia procurar saber como está nossa segurança na cidade, na porta das escolas. Eu gostaria que um representante do Ministério Público também estivesse ido comigo a uma casa de um casal de idoso, no bairro Bela Vista. Eles (casal) estão vivendo dentro de casa como se fosse uma penitenciária, porque sua casa está toda trancada e com cerca concertina. Eles não têm liberdade para lavar sua calçada, crianças não podem usufruir da praça do bairro. Uma cidade de 350 mil habitantes sendo refém de 600 pessoas em condições de rua. Então, o senhor promotor deveria correr atrás para resolver esse problema”, concluiu a parlamentar.
O presidente da Câmara de Franca, o vereador Carlinho Petrópolis (PL), segue mencionando a frase na abertura das sessões. “O Ministério Público está agendando uma reunião para discutirmos o assunto. Enquanto não haja uma decisão sobre a adequação do regimento interno, vamos seguir normalmente aqui como sempre fizemos”, disse, nesta terça-feira.