10 de julho de 2026
EM CASA

“Preciso de tudo para recomeçar”, diz mulher que foi queimada pelo marido

Por Alex Henrique | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Alex Henrique/GCN
Dara Cristina de Andrade em recuperação na casa de sua mãe em Franca; família precisa de ajuda

A voz ainda está fraca, consequência dos dias de intubação. Os pensamentos e sonhos com os momentos de terror serão uma companhia indesejável por muito tempo. E o medo de ter um dos pés amputados não sai da cabeça. Porém, mais forte que os sentimentos ruins, é a fé de Dara Cristina de Andrade Rossato em dias melhores.

A jovem de 27 anos voltou para casa na última semana depois de 55 dias de internação em razão das severas queimaduras que sofreu após ter sido vítima de uma tentativa de feminicídio em maio último, cometida pelo próprio marido, que está preso pelo crime desde a última segunda-feira, 17.

Foi um período entre a vida e a morte. Foram 20 dias de coma induzido, procedimentos cirúrgicos para enxerto de pele. O saldo negativo da batalha é de um rim paralisado, pneumonia, uma infecção hospitalar e uma trombose no pé direito que pode resultar na perda do membro.

Depois de receber alta hospitalar na quinta-feira, 20, a sapateira chegou a Franca na madrugada seguinte, e foi recebida pela família sob forte emoção ao som de um louvor evangélico, que cita que “a vitória chegou”. Ela agora está na casa da mãe, no Jardim Boa Esperança, e reflete sobre o futuro.

“Pra ser bem sincera, ainda não sei. Estou recomeçando, colocando a cabeça no lugar. Porque não sei como será o dia de amanhã. Mas estou sobrevivendo, pelejando. E espero que seja melhor a cada dia”, disse.

A jovem tem passado a maior parte do tempo em uma cadeira de rodas e precisa de ajuda para todas as tarefas. A alimentação ainda é pastosa. Para se cobrir, só consegue usar uma manta de microfibra, a única que não gruda nos pontos do corpo ainda em cicatrização. “No hospital um lençol de algodão encostou na minha perna e quando fui tirar arrancou um pedaço de pele”, queixou-se Dara.

Mais um capítulo da saga será escrito no próximo dia 10 de agosto, data em que está marcado o retorno de Dara à Santa Casa de São Paulo para a primeira avaliação médica após a alta. E o risco de perder o pé direito em razão de uma trombose é alto. “Talvez eu já fique internada para amputar meu pé. Não vai ser fácil”.

Solidariedade

Os recursos da família são poucos, por isso a ajuda através de doações será fundamental. Com a locomoção prejudicada e por conta do período com sonda uretral, Dara necessita de fraldas, e não tem condições de comprar.

Mãe de cinco filhos, a jovem quer seguir a vida em uma nova casa longe de quem a quase matou. “Preciso de tudo. Não tenho nem uma cama para dormir. Qualquer doação será bem vinda”, pediu.

Quem quiser colaborar com a jovem pode entrar em contato com os telefones (16) 98206-5693 e (16) 98180-5528.