11 de março de 2026
HISTÓRIA

Escavações arqueológicas serão feitas no antigo DOI-Codi, QG de tortura da ditadura

Por Gabriel Blois Moreira | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação

O antigo DOI-Codi de São Paulo (Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna) será alvo de pesquisas arqueológicas por especialistas que buscarão vestígios históricos no órgão militar que foi usado no período da ditadura para perseguir, executar e torturar opositores do regime. As escavações serão feitas no local entre os dias 2 e 14 de agosto.

Os trabalhos serão realizados pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). As universidades avaliam que os prédios do antigo DOI - Codi/SP são um marco físico que documentam um período brutal da história brasileira, sob permanente disputa.

Nas escavações, os pesquisadores pretendem explorar os vestígios encontrados no local, como objetos, estruturas arquitetônicas e registros documentais, a fim de buscar esclarecimento sobre o passado e contribuir para a compreensão dos eventos ocorridos durante a ditadura.

“Resultado de um trabalho coletivo desenvolvido no âmbito do Grupo de Trabalho Memorial DOI-Codi em 2018, o objetivo dessas escavações é utilizar as pesquisas arqueológica e histórica para compreender os vestígios materiais e a memória associada a esse importante local de violações de direitos”, disse o grupo responsável pela escavação.

O grupo também anunciou o interesse em criar um espaço de memória do estado de São Paulo, permitindo que diversos grupos possam ter acesso às informações e eventos sobre o passado.

“A investigação rigorosa, o diálogo contínuo com a sociedade e a aliança entre ciência e direitos humanos é um dos caminhos para o conhecimento do nosso passado, visando o fortalecimento da democracia e da construção de políticas públicas efetivas para a consolidação da cidadania”, diz a nota.

De acordo com os responsáveis pela escavação, poderão ser feitas visitas guiadas às escavações, oficinas com estudantes e professores, além de mesas e debates com ex-presos políticos, pesquisadores e defensores dos direitos humanos.

*Com Agência Brasil