O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), disse nesta quinta-feira, 13, que a falta de leitos de internação na rede SUS e a fila de cirurgia eletiva são o maior desafio que vem enfrentando neste terceiro ano de sua administração. Alexandre disse que a responsabilidade de assegurar vagas aos pacientes é do Estado, mas que busca fazer sua parte oferecendo estrutura às pessoas nas unidades de saúde do município. As declarações do prefeito foram feitas em entrevista ao programa Show da Manhã, da rádio Difusora, nesta quinta-feira. Na oportunidade, Alexandre voltou a cutucar a Santa Casa de Franca, responsável pelo serviço público.
O Chefe do Executivo disse que "em outras áreas eu posso comprar serviço e equipamento, mas nessa área da Saúde eu não consigo porque o prestador do serviço (Santa Casa) não nos deixa participar do processo". E mais: "O Estado entende que ele é quem tem que gerenciar, só que não oferece o suficiente para nós. O prestador de serviço fala que o contrato é com o Estado. Portanto, eu não tenho gerência sobre lá dentro, que é a Santa Casa, e a população fica sofrendo aqui fora. Eu falo para o Estado que quem compra o serviço é quem determina como e quando será feito, e não o prestador. A Santa Casa não pode determinar regra. Isso é uma coisa cruel com as pessoas”, disse Alexandre.
O prefeito destacou que caso o Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’ não contasse com a estrutura que tem, como UTI, respirador e outros equipamentos, pacientes estariam morrendo no local. “Se eu não tivesse montado uma estrutura condizente com a necessidade da população dentro do pronto-socorro, que não era função minha, estava morrendo gente sem atendimento. Tem dia que há 40, 45 pessoas dentro do pronto-socorro esperando uma vaga no hospital. Não é função do pronto-socorro, estou fazendo uma função que não é minha. Mas eu não posso ficar choramingando esperando o mundo acabar. Minha parte é brigar com todo mundo e fazer funcionar. Eu não posso comprar leito, a responsabilidade é do Estado. Ele que oferece a vaga. Talvez hoje seja o maior problema que a gente tem”, reconhece.
Alexandre lembrou que a Santa Casa também recusou encampar o serviço de retirada de cateter e realizar procedimentos de cateterismo recentemente, obrigando a Prefeitura de Franca a comprar serviço em outra cidade. “Os vereadores destinaram uma parte de suas verbas para retirada de cateter, a Santa Casa não quer fazer. Tive que mandar pacientes para Ituverava. É essa mania de querer determinar regras. Não pode. Na minha cabeça, tinha que ter um comando único, alguém que tomasse conta aqui em Franca, hospital, unidade básica e unidades de especialidades. Tudo de comando único, aí funciona. Da maneira que está, não tem jeito”, disse o prefeito, acrescentando; “Outro exemplo é o cateterismo. Nós temos 160 pessoas esperando. O Ministério da Saúde ofereceu pagar duas vezes a tabela SUS. A prefeitura teve que cadastrar os pacientes e o local que iria fazer, a Santa Casa de Franca disse ‘não quero fazer’. Nós perdemos o dinheiro do cateterismo”.
O prefeito finalizou dizendo que há equipamentos públicos instalados na Santa Casa, e voltou a falar em comando único. “O aparelho que está lá é nosso, é do público, então não pode fazer também para o particular. Não pode colocar um aparelho lá e dizer que não vai fazer serviço para o SUS. É um grave problema, por isso eu acho que tem que ter comando único”.