O que seria uma boa notícia para aliviar o coração de uma família angustiada com a espera de uma vaga de internação se tornou mais um capítulo de um longo pesadelo. A família de Orlandina Luiza Cintra, de 79 anos, tem passado por momentos angustiantes.
A idosa ficou por cinco dias internada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto. Ela utiliza oxigênio há seis meses em casa, tem diabetes e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). Ela passou mal e precisou buscar atendimento. Ao chegar na UPA, recebeu o diagnóstico de água no pulmão. “Ela sente muita falta de ar e está sofrendo muito. Não sabemos o que fazer”, disse a neta.
No sábado, 1º, a família recebeu a notícia de que a longa espera por uma vaga de internação terminaria. “A Secretaria do Estado de Saúde ligou dizendo que ela era a primeira na fila, e a vaga para internação na Santa Casa de Franca tinha saído. Isso era umas 15 horas, mas até às 20 horas, a transferência não tinha sido feita. Ficamos sabendo que a Santa Casa disse que não tinha como receber ela, pois não havia leito para ela. Ficamos sem entender, pois se a vaga tinha saído, como não iria receber ela”, contou a neta.
A situação piorou, pois Orlandina sofreu uma baixa em sua saturação, e até a meia-noite os médicos da UPA tentaram reverter seu caso. “Eles não conseguiram subir a saturação dela e ela estava quase entrando em coma, quando decidiram colocar ela na ambulância e levaram para a emergência da Santa Casa”, explicou.
A idosa foi encaminhada para emergência da Santa Casa, nos leitos chamados “leitos zero”, que sempre estão disponíveis para casos de urgência e emergência. “Ela chegou ao hospital e precisou ser entubada. Entrou na Santa Casa e falaram para nós que deveríamos aguardar. No outro dia, por volta das 9 da manhã, informaram que ela foi transferida para a UTI do Hospital do Coração, e agora ela segue entubada. Porém, estamos indignados, pois disseram que tinha a autorização da vaga e quando foram transferir, a Santa Casa disse que não tinha leito. Nessa enrolação, ela que era a primeira da fila, ficou esperando, enquanto poderiam ter conseguido vaga em outro lugar, transferido antes dela passar mal, e talvez, ela nem tivesse como está hoje, entubada e correndo risco”, destacou a neta.
Posição da Secretaria de Saúde do Estado
A reportagem entrou em contato com a Secretaria do Estado de Saúde, que informou em nota que o serviço da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) é apenas um serviço intermediário entre os serviços de origem e de referência. A Secretaria ainda informou que o papel da Cross não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo, seja ele municipal, estadual ou filantrópico, e apto a cuidar do caso. A Central possui um sistema online que funciona 24 horas por dia e busca vaga disponível em serviços de saúde do SUS, preferencialmente na região de origem do paciente, com disponibilidade e capacidade para atender cada caso, priorizando os mais graves e urgentes. E uma vaga só é liberada com o aceite da unidade de saúde, que comunica que tem uma vaga disponível.
Posição da Santa Casa de Franca
A Santa Casa de Franca enviou uma nota informando que a paciente foi inserida no sistema para regulação no dia 26 de junho, às 17h16, e foi encaminhada para a referência pactuada no dia 1º de julho às 15h47, acrescentado que a paciente é portadora de DPOC, faz uso de respiratório e por agravamento do seu quadro foi iniciado um protocolo de emergência, dando entrada na Santa Casa no dia 2 de julho, às 00h13, estando internada no Hospital do Coração de Franca.
A instituição disse ainda que o responsável por estabelecer a fila ou encaminhamento dos pacientes é o médico regulador juntamente com o médico assistente do paciente. A comunicação da instituição com o regulador ocorre através do sistema que é online, e compete à instituição responder os casos submetidos à sua avaliação, bem como informar se o caso é pertinente, e se o recurso está disponível.
Questionada novamente sobre o motivo de ter dado aceite para a vaga de internação da paciente e não ter autorizado a transferência da mesma de imediato, a Assessoria de Imprensa da Santa Casa não respondeu nem atendeu às ligações.