Afastado da vida política, o advogado e ex-vereador Fábio Roberto Cruz disse na última quinta-feira, 29, ao programa A hora é essa!, da rádio Difusora, que, como cidadão, acompanha os assuntos que tocam a população, principalmente no que se refere ao papel do Poder Legislativo.
Vereador em Franca por 16 anos consecutivos - 1983/1988, 1989/1992, 1993/1996 e 1997/2000 -, o advogado fez uma avaliação do trabalho dos parlamentares da atual gestão. Fábio Cruz disse que “a Câmara atual está ficando muito na superficialidade”.
“Eu participei de diversas Câmaras, e infelizmente foi caindo um pouco a qualidade. Eu tive o privilégio de ter trabalhado com pessoas do nível, por exemplo, do Dr. Anibal Vilela Moreira, Dr. Álvaro Azzuz, Luís Carlos Fernandes, Dr. Lancha, Dr. Rossini, mas a coisa foi perdendo bem a qualidade”, afirmou o advogado.
Ao longo dos quatro mandatos, Fábio Cruz teve também como colegas de bancada outros nomes como Gilson de Souza, Gilmar Dominici, Hélio Rubens Garcia, Valdes Rodrigues, Roberto Engler, Dr. Joaquim, Dr. Magid Bachur Filho e Gilson Pelizaro, que voltou à Câmara na eleição passada e faz parte da atual bancada do Legislativo.
“Eu considero que essa Câmara atual está ficando muito na superficialidade. São muitas coisas que ficam numa zona que não tem profundidade nas discussões. A maioria dos vereadores não conhece nem os números, os quantitativos, por exemplo, na área de Saúde. Não há consistência. Ficam todos na análise periférica, é muito cosmético”.
Fábio Cruz acredita que o papel do parlamentar pode ir além da votação de projetos. “Há alguns assuntos relevantes que os vereadores não se envolvem, não correm atrás”, disse, acrescentando que passou uma denúncia de interesse coletivo para um vereador há seis meses e até agora não obteve um retorno.
“Eu fiz um estudo profundo e eu próprio poderia representar junto ao Ministério Público, mas passei para um vereador uma questão sobre transferência de contrato imobiliário. Tem imobiliária que cobra um absurdo para transferir um contrato de compra e venda, chegando até a R$ 2 mil. Que história é essa? Se você quiser passar um contrato, pode ser em qualquer lugar do Brasil, mas a pessoa é obrigada a ‘morrer’ em determinada imobiliária. Isso é ilegal, fere os princípios básicos do Código de Defesa do Consumidor”.
O ex-vereador acredita que o Ministério Público poderia, através de uma representação, intervir e firmar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ou mover uma ação civil contra esses estabelecimentos. Mas já se passaram seis meses e o vereador não respondeu se tomou alguma providência. “Até hoje ele (vereador) não me reportou que tenha protocolado no Ministério Público. É uma lesão ao consumidor”.
Fábio Cruz destacou outro problema na cidade que precisa de regulamentação, que é o serviço de caçamba. Ele diz que os preços praticados são altos na cidade e sem controle. Ele, inclusive, lembrou que o serviço de guincho na época que foi vereador era parecido com os de caçamba atualmente. “Guincho era um negócio que as pessoas faziam o que queriam, mas na minha época colocamos como serviço de utilidade pública e quem iria fixar o preço seria o prefeito. As empresas cobram preço abusivo no serviço de caçamba e o que o povo faz: joga nos terrenos, depois a Prefeitura gasta para limpar”.
Por fim, o advogado voltou a criticar a atual Câmara. “Eles não tratam de assuntos relevantes, ficam tudo no ‘varejinho’, virou despachante de luxo. Isso é péssimo. Não tem problema ter limitação, a Câmara tem assessoria para analisar todas as questões”.