10 de julho de 2026
SEM ETARISMO

Senhores do esporte: atletas ignoram limite de idade e mantêm treinos e jogos

Por Jéssica Reis | da redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivos pessoais quando o fator idade não interfere na vida esportiva
Antônio Geron, atleta de vôlei adaptado (à esquerda), e Xavier, jogador veterano de futebol de várzea

O avanço das pesquisas médicas vem contribuindo com o prolongamento da carreira de atletas. No esporte, é mais evidente a percepção de quanto é possível continuar usufruindo das técnicas, conhecimento e bagagem das experiências de um esportista ou atleta com mais senioridade.

Com o passar dos anos, os atletas deixam o campo, as quadras e os incansáveis treinos e vários deles migram para continuar atuando como técnicos, orientadores e gestores esportivos, ao lado de jovens atletas.

Mas, e quando o atleta se aprimora tanto a ponto de se destacar já na terceira idade ou quando o esporte se torna parte de uma rotina saúdavel? É o caso de Antônio Geron e José Xavier, ambos atletas veteranos de Franca, respeitados e admirados. Conheça as suas histórias.

Nas quadras

Antônio Geron tem 93 anos e desde 1994 disputa os Jogos Regionais dos Idosos no vôlei adaptado, representando a cidade. “Tenho uma caixa com uns 20 quilos de medalha aqui em casa. O vôlei me movimenta e me anima”, contou.

Geron nasceu em São José da Bela Vista, mas mora em Franca desde a infância. Ficou viúvo há 9 anos, tem três filhos, oito netos e cinco bisnetos. E por muitos anos trabalhou em uma fábrica de calçados. “Sempre fiz exercício quando era mais jovem. Eu acredito no exercício físico como estímulo e melhora do cotidiano. Mas foi quando me aposentei que consegui dar mais atenção ao esporte. Hoje pratico, além do vôlei adaptado, pilates, alongamento e ginástica, e frequento o CCI do Judas Iscariotes. A movimentação e o exercício me permitem ser saudável aos 93 anos”, explicou.

A profissional de educação física, amante do esporte desde a infância, Júlia Barion, acredita  na importância do trabalho com a terceira idade. “Trabalho há mais de 20 anos com essa faixa etária. É um desafio constante no dia a dia. Você sabe que o tempo não perdoa, e com o passar do tempo as dificuldades tendem a aumentar. A atividade física nessa faixa etária é muito importante porque ela diminui a velocidade com que essas dificuldades se apresentam. Hoje temos vários projetos espalhados pela cidade que trabalham com o público adulto, que eu costumo dizer que é o mirim da melhor idade. Ainda participo das competições diariamente. Isso significa poderem voltar a competir, sentir a adrenalina da competição nessa fase da vida é muito motivador” explicou.

No campo

José Antônio Xavier de Almeida, conhecido como Xaxá, tem 75 anos e joga futebol varzeano. Ele tem três filhos e seis netos, é aposentado e francano. Atualmente, ele joga na equipe Bengala de Ouro, mas já foi atleta do Francaninha, Benjamin, Pinga Fogo, Palmeirinhas, Laranjeiras, São Bento e no time Meia Noite de Patrocínio Paulista.

“Sempre joguei futebol, desde criança, e nunca mais parei. Participei de campeonatos e jogos amadores. Cheguei a fazer jogos internacionais em 2022 com a equipe Bengala de Ouro, cheguei no auge já mais velho”, explicou.

Segundo o aposentado, em 2013 ele precisou operar três safenas. “Na época eu chegava a treinar todos os dias e tive que amenizar os treinos. Os médicos disseram que eu deveria acalmar os exercícios. Hoje são apenas dois treinos por semana e também em tempos menores”, contou.

Xavier é uma referência para o esporte varzeano de Franca e sabe a importância de estimular mais pessoas para a prática esportiva. “Para quem está começando, sempre falo que se você foi sedentário, tem que começar devagar e aumentar o ritmo conforme o corpo aguenta, sem sofrer com o cansaço e sempre fazer o esporte que gosta, pois melhora relativamente a qualidade de vida”.