“Um mar de gente pintou a cara de verde e amarelo, empunhou cartazes e tomou conta das ruas de Franca para protestar contra o cenário político nacional ontem. Jamais a cidade viu algo parecido. A mobilização ficará na história como uma demonstração marcante de amor à pátria e de indignação com a corrupção que toma conta do país”.
Com o título: “Mar de gente ocupou as ruas e protestou pelo fim da corrupção em Franca”, o trecho acima faz alusão ao dia 20 de junho de 2013, conforme publicado na edição do dia 21 do jornalo Comércio da Franca.
Nesta quarta-feira, 20, completam-se exatos dez anos daquele que pode ter sido o maior protesto da história da cidade. Segundo estimativa da Polícia Militar na época, mais de 10 mil pessoas se reuniram no Centro para manifestar contra os suscetíveis aumentos na passagem de ônibus e os casos de corrupção no Brasil.
O ponto de concentração foi a praça 9 de Julho, próximo ao terminal central rodoviário. Os manifestantes chegaram aos poucos enrolados em bandeiras e com os rostos pintados. Já na praça Barão, houve uma selvageria à parte. Um grupo saqueou lojas, colocou fogo em lixeiras e depredou o terminal e outras estruturas, além do conflito com a Polícia Militar.
Movidos por “não é por centavos. É por direitos”, a empresa São José, responsável pelo transporte público municipal, foi o principal alvo dos protestos. O grito: “ou para a roubalheira ou paramos o Brasil” também ecoava pelas ruas do município, que, na época, tinha cerca de 320 mil habitantes.
Também foi alvo de críticas a falta de investimentos em Educação e Saúde, além dos bilhões utilizados na construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014.
Os manifestantes seguiram até o Paço Municipal, onde vândalos soltaram bombas, chutaram grades e quebraram vidraças. Do Executivo, o alvo virou o Legislativo. O protesto seguiu até a Câmara Municipal, com críticas aos vereadores, em especial, ao falecido presidente Jépy Pereira.
Ao som do Hino Nacional e do grito “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, o movimento chegou ao final no viaduto da rua Major Nicácio. Dez anos depois, a manifestação segue estampada nos jornais e na memória daqueles que participaram.
Confira algumas imagens da época em reproduções de páginas do Comércio da Franca (Arquivo):