A escassez de vagas de leitos na rede pública de Franca já virou um caso crônico. Pessoas à espera de internação é rotina das mais cruéis na cidade, muitas vezes com desfecho a famílias enlutadas. Nessa semana, houve mais uma morte, após um aposentado ficar por três dias aguardando um leito SUS.
Até agora, todo o movimento na área política não passou de promessas e projetos que na prática não surtiram efeitos. Foram feitas várias reuniões, o sistema de regulamentação de vagas foi alterado e até uma CEAR (Comissão Especial de Assuntos Relevantes) segue em andamento na Câmara de Franca para apurar o caos que o município vive.
Após 90 dias de apurações, audiências com os órgãos responsáveis, a Comissão da Saúde pediu mais 60 dias para concluir o relatório final e apontar de quem são as responsabilidades, para tentar melhorar o serviço público. Com o pedido de prorrogação dos trabalhos, a CEAR será uma das mais longas da história da cidade, podendo chegar a cinco meses.
Praticamente em todas as sessões da Câmara, os vereadores e munícipes debatem o problema. Nessa semana, o presidente da comissão, vereador Gilson Pelizaro (PT), protocolou pedido de prorrogação do prazo para apuração e conclusão do relatório final dos trabalhos dos membros da CEAR. “A gente acha que deve ampliar o prazo porque muito do que foi prometido não aconteceu. Nós temos que fazer gestões para que isso aconteça, por exemplo, a questão dos dez leitos que foram prometidos pelo Estado. Alegaram que era urgente, um 'estado de guerra'. Esse foi o termo usado pelo Secretário de Saúde do Estado, Eleuses Paiva, mas as coisas não acontecem, e o povo sofrendo”.
O parlamentar se mostra mais preocupado ainda com a questão dos leitos, já que dois colegas de Câmara trouxeram uma informação de que o Governo de São Paulo não vai instalar os 50 leitos necessários para suprir a demanda. “Dois vereadores, que fazem parte da CEAR, Zezinho Cabeleireiro (PP) e Daniel Bassi (PSDB), estiveram em São Paulo, e o Governo veio com a alegação de que os 10 leitos não saíram por causa de burocracia e que os outros 40 solicitados não vão sair porque o Estado está sem dinheiro em caixa, coisa que durante o processo eleitoral a gente escutou completamente ao contrário, que havia 70 bilhões, e agora diz que não tem condição de atender essa demanda".
O vereador ainda acredita que os leitos possam ser implantados em Franca com o apoio do Governo Federal. “Fizemos uma representação junto ao Ministério Federal cobrando o credenciamento dos 50 leitos SUS. Se não vingar no Estado, vamos tentar no Governo Federal. Estamos correndo atrás para atender as necessidades da população, que a gente sabe do sofrimento que a gente tem assistido, gente morrendo à espera de leitos, ficando vários dias em lugares inadequados para quem está com problemas graves de saúde”.
O presidente da Comissão da Saúde diz que a situação é grave, podendo inserir apontamentos inéditos no relatório. “Vamos sentar, discutir todos os pontos do que foi levantado, das diligências, das representações. A gente nota que tem extrapolado as competências de cada um, e o Estado não tem dado a devida atenção”.