11 de julho de 2026
INCÔMODO

'Isso fede, fede muito': francanos convivem com mau cheiro de lagoas de esgoto

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Hevertom Talles/GCN | Divulgação/Sabesp
Maria Luiza de Almeida Silveira, 57 anos, convive com o mau cheiro de lagoa

“Isso fede, fede muito, incômodo total, porque você fica em casa e no sol, no almoço, parece que você está comendo numa fossa, perto de uma fossa, que é insuportável”. Esse é relato da costureira Maria Luiza de Almeida Silveira, de 57 anos, que mora na rua José Franchini, no São Luiz, em Franca, próximo de lagoas de tratamento de esgoto da Sabesp.

A costureira, que se mudou de São Paulo para Franca há três anos, acreditava que o cheiro forte do seu bairro se dava por possíveis fossas ativas. “Aqui fala que não tem fossa, mas é cheiro de fossa que é dessa água, dessas lagoas”, relata Maria, que soube por vizinhos, posteriormente, da existência da lagoa de esgoto do Paulistano.

“Sinceramente, eu fico com vergonha quando recebo visita. Minha irmã fala que eu me escondo. Mas, fazer o quê? É o local que arrumei pra morar. A gente suporta isso, não tem para onde ir. Se mora aqui, tem que suportar”, lamenta a moradora.

Segundo Maria, a situação das lagoas dá a impressão de que estão abandonadas pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). “Podia retirar ou tratar isso aqui, cuidar mais, para não ter esse odor, esse odor terrível. Três anos que moro aqui e nunca vi ninguém da Sabesp, a não ser que eles tratam de noite... De dia e tarde, se não vê ninguém da Sabesp”, destaca a costureira.

Próximo dali, na rua Alcídes Gomes Neto, no Paulistano, mora a aposentada Laurípia Valéria Garcia, de 82 anos, que também fica próximo das lagoas de esgoto. Ela vive ali há 16 anos.

“Isso aí já foi pedido. Prefeito e vereador já vieram. Eles falaram que iria tirar, e não tirou. Eu ouvi o cara da Sabesp falando: 'Isso aí não tira fácil, não. Vão muitos anos'”, comenta a aposentada.

Laurípia sofre por morar perto da lagoa. “Fede muito forte. Quando ficam muitos dias de sol e chove, aí danou mesmo! Pra onde eles vão levar isso? A gente acostuma, tem vez que até coloco água de lavadeira no banheiro, água sanitária nos ralinhos, para poder tirar um pouco. Estou aqui desde 2007”, conta a aposentada.

Seis lagoas
Franca possui atualmente seis estações de tratamento de lagoas de esgoto de estabalização, segundo a Sabesp. A companhia informou que iniciou os trabalhos para transferir, para as ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) Luiza e Franca, o esgoto doméstico das lagoas existentes na cidade. A do City Petrópolis será a primeira a ser desativada, e está recebendo obras desde novembro de 2022, afirma a empresa.

Em nota, a Sabesp informa ainda que "a desativação das lagoas no Jardim Paulistano I, Paulistano II, São Francisco e Palestina ocorrerá simultaneamente. Os projetos estão finalizados e a Sabesp está providenciando a documentação para o processo licitatório de contratação da empresa que executará as obras. A perspectiva é iniciar os serviços nesse ano e concluí-los em 2024. O investimento é de R$ 33 milhões e vai beneficiar diretamente mais de 30 mil moradores".

A sexta lagoa fica no Jardim Aeroporto e deve ser desativada também, "mas é um projeto futuro".

Sobre a reclamaçãos dos moradores por conta do mau cheiro das lagoas, a Sabesp informou que "realiza a limpeza das grades de esgoto diariamente, e que é feita também a remoção de areia com caminhão tipo limpa fossa e, quando há excesso, a Companhia executa a limpeza da nata superficial. Quando necessário, a Companhia realiza uma limpeza extra e faz aplicação de cal. A Sabesp também instalou dispositivos aeradores superficiais nas lagoas, como no Bairro City Petrópolis".