03 de abril de 2026
MORTE

'Tenho que ir embora desse lugar o quanto antes', disse sargento antes de ser morto

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Trecho de áudio que sargento enviou para amigo pouco antes de ser morto

Foi sepultado na tarde desta quinta-feira, 6, o corpo do policial militar Rullian Ricardo, 40, morto a tiros pelo capitão Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo, durante uma discussão dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, na região do Ipiranga, em São Paulo.

O velório de Rullian foi cercado por muita emoção da família, amigos e colegas de farda, que se despediram do policial.

Áudio enviado antes da morte relata que o sargento estava esgotado
Um áudio de WhatsApp que circula em grupos mostra que Rullian estava cansado de morar fora de Franca. Ele também faz uma denúncia afirmando que existiam policiais na companhia há 14 dias sem tirar folga.

“Rapaz do céu, eu tenho que ir embora desse lugar aqui o quanto antes. Embora daqui. Pelo amor de Deus. Eu trabalhei essa noite, aí fiquei aqui, que ia cobrir a folga de outro sargento, que faz quatorze dias que tá sem tirar folga”, diz o Rullian.

Em outro trecho, o policial relata o dia a dia e expressa sua exaustão na Polícia Militar. “Aí cobri a folga dele (sargento), e que acontece. Me mandaram uma mensagem aqui, agora, que vai ter uma operação amanhã, né. Operação amanhã. Aí eu vou trabalhar a noite, em vez de trabalhar de dia na folga dele, que eu não fui embora, eu perdi. Podia ter ido embora. Vou trabalhar amanhã à noite, quinta-feira, e ele vai folgar no sábado. Aí o que acontece, eu não vou embora. Eu não vou embora de novo. Vou trabalhar quinta, chegar aqui na sexta, porque sábado de manhãzinha eu tenho que assumir o lugar dele. Quer dizer, eu não vou embora”, continua Rullian.

O sargento encerra o áudio criticando a má administração da Companhia e ressalta que o trabalho de um policial militar é com pessoas.

“Pelo amor de Deus. Isso aqui é… pensa num lugar que tem uma má administração… uma má gerência. Má gestão de pessoas. A gente lida com vidas. Gestão de pessoas a gente tem que gerir vidas e a pessoa só fica exigindo, exigindo. Eu tô no meu limite”, finalizou Rullia.

Investigação
A morte de Rullian já é investigada pelo alto comando da Polícia Militar, que desde o início da ocorrência dentro do alojamento onde os militares descansam. No local, não há câmeras de segurança.

“Logo que tivemos conhecimento do crime, eu me dirigi ao local. Em virtude dos fatos, determinei a instauração do inquérito policial militar, para apuração. Iniciamos as oitivas momentos depois do crime e encerramos por volta das 4h da madrugada de hoje. Como não houve indícios de execução, os militares envolvidos não foram presos em flagrante”, disse o coronel Erick Gomes Bento, comandante do policiamento de área da região sudeste da capital, local onde aconteceu o crime.

Agora, o caso é apurado pela Polícia Militar, que marcou um exame psicológico dos envolvidos para a próxima segunda-feira, 10. Dependendo do resultado, eles poderão ser afastados.