"Francano não sabe dar seta", "Francano não sabe dirigir", esses são dizeres comuns na cidade. Mas como será que pessoas que trabalham com trânsito lidam com as mais diversas situações? O GCN bateu um papo com dois motoristas de aplicativo, que trabalham na cidade diariamente, para saber um pouco sobre suas rotinas e situações peculiares.
Ronaldo Pereira da Silva, de 48 anos, trabalha com aplicativos há 4 anos e leva uma rotina puxada entre várias corridas e histórias que vivencia. "Sempre fui de acordar cedo, então começo o meu dia de trabalho às 5 horas, o que considero um dos melhores horários. Chego a ficar no trânsito quase 12 horas por dia. Mas mesmo com uma rotina puxada, não pretendo voltar para o trabalho CLT", disse o motorista.
Com boa parte do tempo no carro, Ronaldo já passou por situações para ele engraçadas como transportar passageiros alcoolizados e uma suspeita de traição. "Uma vez, uma passageira e sua amiga pediram o carro para fazer um flagrante do namorado dela traindo. Eu só soube quando estávamos á caminho. Chegamos lá e ele estava em um carro com outra. A passageira ficou transtornada. Para mim, foi uma situação diferente e engraçada, claro, para ela não, mas eu não esperava", contou.
Um dos destaques que o motorista faz de seu trabalho é que apesar de não gostar de generalizar, boa parte dos motoristas francanos opta por não respeitar as leis de trânsito. "Olha, já bateram no meu carro parado no semáforo, pois o motorista não prestou atenção. Semana passada, o homem bateu no meu carro por agachar com o carro em movimento para pegar o celular dele que tinha caído no assoalho do carro. Ou seja, eles escolhem não prestar atenção", explicou.
Uma das dificuldades que os motoristas têm é das pessoas seguirem devidamente as regras dos aplicativos. "Já recusei viagem com menores de idade sozinhos no carro e fui xingado. Foram quando as pessoas te cortam no trânsito, gritam e acham que estão certos. Já dirigi em outras cidades e de verdade, aqui em Franca é bem complicado", comentou.
Mas mesmo com todas as dificuldades, ele ainda diz que não pretende trocar seu trabalho por algo formal, pois ama dirigir e ter autonomia em sua rotina. "Sou bem metódico e gosto do meu trabalho. Hoje, posso dizer que tiro toda a minha renda como motorista. Trabalho com meta de valor e quando chego ao fim do dia menos cansado, ainda faço extras", finalizou.
Motorista Karine
Quem também passa boa parte do dia no trânsito é a motorista Karine Alves, de 31 anos. Ela começou a dirigir nos aplicativos há 7 meses, e mesmo nova na profissão, já passou por situações engraçadas. "Uma situação engraçada foi assim que comecei nos aplicativos peguei um passageiro bem alcoolizado, isso era 10 horas da manhã! Ficou contando um monte de histórias", contou.
A motorista também destaca a falta de educação e atenção dos francanos no trânsito. "É complicado, às vezes, temos que fazer manobras porque os outros motoristas não prestam atenção, alguns motoqueiros doidos. Mas graças a Deus nunca sofri nenhum acidente", explicou.
Karine diz também que nunca sofreu nenhum constrangimento por ser uma mulher dirigindo e que se sente orgulhosa. "Gosto de ver cada vez mais mulheres no trânsito. Gosto muito dessa profissão, é super bacana estar no volante, conhecendo gente a todo minuto, conhecendo histórias diferentes", finalizou.