O vice-governador do Estado de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), esteve em Franca nesta terça-feira, 21, para participar de um evento de cafeicultores na parte da manhã. No começo da tarde, ele fez uma visita à rádio Difusora AM e ao GCN, concedendo entrevista exclusiva.
Ramuth não se esquivou de nenhum questionamento, reafirmando que o governo de São Paulo tem planos para privatizar a Sabesp, falou sobre a questão preocupante das grandes cidades com relação aos moradores de rua e abordou o ponto mais importante para Franca: a escassez de vagas na rede pública de Saúde. Franca registra uma média diária de 35 pacientes ‘internados’ em unidades de saúde da cidade à espera de vagas de leitos SUS.
O vice-governador informou que há 5 mil leitos ociosos em todo o Estado, e que o serviço está mal distribuído. “Infelizmente, o que a gente tem visto é uma má distribuição de leitos, com muitos leitos ociosos no Estado. Durante a pandemia, eu tenho certeza que Franca tinha mais leitos disponíveis do que tem hoje. Mais de 5 mil leitos já foram detectados ociosos no Estado, que teriam toda estrutura, com custeio, para retomar a utilização. Não precisa construir nada novo. A gente acredita nessa reengenharia dos leitos e dos atendimentos, inclusive sobre cirurgias eletivas”, disse Ramuth.
Regionaliza a Cross
Felício Ramuth disse que o Estado tem que usar a criatividade e que o sistema de regulação de vagas será alterado. “Temos que regionalizar a Cross (Central Reguladora de Ofertas de Serviços de Saúde). O sistema era para ser inteligente, mas não é. Eu conheço porque fui prefeito (de São José dos Campos). A determinação do nosso secretário de Saúde é que o serviço seja regionalizado da forma correta. Também tem muitas Santas Casas mal administradas, onde tinha desperdícios de recursos e a gente conhece várias histórias. Mas Santas Casas bem administradas, bem geridas profissionalizadas, têm que existir essa relação de equidade com também as Organizações Sociais (OS)”.
Privatização da Sabesp
O vice-governador, que também é presidente do Comitê de Desestatização do Governo, reafirmou que há um estudo de privatização da Sabesp em curso. “Nós contratamos um estudo sobre a privatização da Sabesp. Esse estudo tem que levar duas premissas: primeiro, baixar o preço da tarifa. Segundo, a universalização, que é antecipar o 100% de tratamento de esgoto, 100% tratamento de água em todas as cidades atendidas pela Sabesp. Hoje a lei exige que seja até 2038, nós queremos antecipado para 2032. Tem muitas cidades que a Sabesp atende bem, mas tem muitas cidades que tem pouquíssimos volumes de percentuais de esgoto tratado”, disse Ramuth.
Moradores de rua
Entre outros temas tratados na entrevista, Felício disse que o Estado vai incrementar na área de Segurança e na área Social, mas que essas ações precisam ser implantadas em conjunto com os municípios, principalmente na questão de moradores de rua.
“O governador vai investir em inteligência, com recursos, com abordagens qualificadas e tratamentos. Segundo levantamento, 40% dessas pessoas têm vontade de deixar a cena aberta de uso (de drogas) para serem acolhidas em um sistema de tratamento. Vamos integrar os serviços do Estado com os serviços do município e entidades que já prestam esses serviços”, finalizou.