Morando em Caraguatatuba (SP) há quase três anos, a família da dentista Débora Andrade testemunha a tragédia que assolou o Litoral Norte do Estado de São Paulo, entre esse sábado, 18, e domingo, 19.
Apesar de não ter sido afetada diretamente pelos estragos causados pelas chuvas que castigaram principalmente a cidade de São Sebastião, vizinha a Caraguá, Débora sofre consequências do temporal. “Estamos assustados. Foi uma quantidade de chuva nunca vista. O mar ficou bem agitado”.
A dentista mora na cidade litorânea com o marido, o funcionário público Carlos César Peliciari da Costa, e a filha, a estudante Maria Clara Andrade Peliciari. Os três deixaram Franca há cerca de três anos.
Ela conta que, quando o temporal começou, estava com a família em uma festa de carnaval. “Quando começou a chuva, a gente estava brincando carnaval no Centro da cidade. No trajeto até em casa, estava tudo tranquilo. Nós moramos no bairro Jardim Britania”, disse.
Segundo Débora, o local onde moram não é considerado área de risco, mas houve enchentes na cidade. “Meu consultório fica próximo a um córrego que corta a avenida. Lá, as ruas encheram um pouco, deixando muito lama. O consultório não foi atingido, por ficar mais elevado”.
Ela disse que vários bairros ainda estavam sem fornecimento de água, devido aos estragos causados pela chuva, por volta do meio-dia desta segunda-feira, 20. “Ontem (domingo, 19), ficamos horas sem sinal de internet e TV”.
Para conhecidos da família, a situação foi mais dramática. “Amigos de trabalho do meu marido estão ilhados em Paúba, que fica em São Sebastião, desde sábado”, contou.
O marido de Débora é funcionário da Sabesp e está, desde as 6 horas da manhã do domingo, trabalhando para restabelecer o fornecimento de água às cidades do Litoral Norte. “Quero parabenizar os heróis que estão na linha de frente, trabalhando dia e noite para reconstruir os estragos e dar suporte aos necessitados, em especial meu marido, que está há 30 horas trabalhando direto”, disse Débora.
Apesar da tragédia, a dentista diz que não cogita deixar a região. Mas a atenção continua. “O alerta é que o solo ainda está bem molhado e corre risco de novos deslizamentos. Apesar de o tempo hoje (segunda-feira) estar ensolarado, já deram previsão de novas chuvas para amanhã (terça-feira)”.
Enquanto vive a tensão do retorno da chuva, a família se mobiliza para ajudar as pessoas atingidas pela tragédia. “Estamos solidários aos que perderam suas coisas, ajudando com doações”.
Das quatro cidades da região – Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela –, é Caraguá que possui a melhor estrutura. As quatro cidades, mais Bertioga e Guarujá, estão em estado de calamidade pública, decretado pelo Governo Federal. O balanço divulgado no início da noite desta segunda-feira apontava 40 mortos na tragédia.