Tristeza, saudade e revolta pela injustiça. Estes foram os sentimentos expressos na praça Nossa Senhora da Conceição, em Franca, na tarde deste sábado, 18, em manifestação após o acidente que tirou a vida de Lucas Eduardo Honório Miquellaci, de 24 anos.
O ato em praça pública reuniu familiares e amigos do casal que também morreu em acidente semelhante – Taís e Guilherme. As orações, discursos e palavras demonstraram revolta contra a situação, que, segundo eles, favorece os “poderosos”.
Henri Bonamim, mãe de Lucas, e a sua irmã, Mariane, com discursos e cartazes, marcaram a memória do músico na praça.
"A gente decidiu fazer essa manifestação para preservar a memória do Lucas. A pessoa que fez isso com o meu irmão é um assassino e pronto para fazer com qualquer outra pessoa”, disse Mariane, que se segurava aos prantos, mantendo-se firme, sempre dizendo que Lucas a apoiava a nunca se manter calada, e que esta era uma destas ocasiões em que deveria demonstrar o poder de suas palavras.
No peito da mãe, duas coisas estão cravadas: saudade do filho do qual tanto se orgulha de ter compartilhado 24 anos ao seu lado, e uma sensação de injustiça pelo causador do acidente não estar preso pagando por retirar a vida de uma pessoa.
“É um sentimento de revolta essa impunidade, parece que nada é feito, ele tirou uma vida, é um assassino. O assassino do meu filho, foi um acidente, mas foi por causa da atitude que ele tomou, de pegar o carro, beber e fazer uma ultrapassagem em local proibido e em alta velocidade”, disse Henri.
“Sei que a justiça divina será feita, mas a justiça aqui na Terra também deve ser feita. Minha revolta é saber que embora condenado, não será punido como deveria. Porque ele pode continuar fazendo isso com outras pessoas. Quantas outras famílias vão passar pela mesma situação que a nossa?”, indagou a mãe. “Lucas foi um menino muito bom, bom irmão, um bom filho e amigo. Quem conhece o Lucas sabe o homem que ele estava se tornando, trabalhador. Ele lutava por justiça, pelo meio ambiente e as causas animais – ele sempre buscou lutar”, finalizou.
Clivers Meireles, designer gráfico, de 23 anos, se sensibiliza com a situação de Lucas. “Eu vi a reportagem dele, não conhecia e não era amigo, mas fiquei muito chocado e comovido. Fiquei pensando: ‘E se fosse eu?’, então eu gostaria que as pessoas fizessem isso por mim também”, explica Clivers, que fotografava a ocasião e registrava momentos tocantes de todos ali presentes. “A sensação é de impunidade”, pontuou.
Além da roda de conversa e as manifestações, foram colados cartazes na barricada de segurança da Concha Acústica, que diziam: “Prezadas autoridades! Está na hora de rever nossas leis. Elas precisam ser mudadas para que situações como a do Lucas, do Guilherme e da Thaís não aconteçam.
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