11 de julho de 2026
RECLAMAÇÕES

Empresas contratadas pela Prefeitura atrasam salários, denunciam seguranças

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Hevertom Talles/GCN
Seguranças contratados por terceirizadas da Prefeitura se reuniram no sindicato da categoria, na última semana

A segurança Thalita Garcia, de 36 anos, compartilhou nas redes sociais indignação com a empresa que trabalha por não realizar os pagamentos e os compromissos trabalhistas vigentes na CLT.

Segundo Thalita, a empresa de segurança Celer Seguranças Privada, de Caçapava, presta serviços para o município de Franca, fazendo a segurança de algumas instituições e deixou de honrar os pagamentos.

Thalita disse que trabalha para a empresa desde 7 de julho de 2022, e que até o final do ano recebia normalmente da empresa. Entretanto, com o encerramento de alguns contratos, segundo a denunciante, a empresa demitiu alguns funcionários no final de dezembro do ano passado, não realizou os pagamentos trabalhistas, manteve outros sem registros e sem o acerto, além do salário vencido no quinto dia útil de fevereiro em atraso.

“Sou uma das vigilantes que estou aqui no Zoobotânico, sem registro, sem acerto, sem salário, com o filho para tratar. O senhor acha justo isso? Um posto ainda que teria que ser armado e motorizado. Sem armamento e sem moto para ronda. Aonde vamos chegar com todas essas irregularidades, cadê os órgãos competentes para fiscalização dessas empresas? Será que dá para a Prefeitura de Franca uma vez na vida fazer algo a respeito? Temos contas a pagar, filhos para sustentar”, publicou Thalita em uma mensagem nas redes sociais dirigida ao prefeito Alexandre Ferreira (MDB).

Segundo a segurança, o acerto após a baixa na carteira era para ter sido no dia 17 de janeiro, mas não foi feito, depois foi remarcado para 1° de fevereiro e também não foi pago. “A gente não quer nada que não seja nosso”, comenta Thalita, que acrescenta que ela e mais de 100 seguranças aguardam o acerto e pedem uma solução do Executivo.

Thalita comenta que a empresa na qual trabalhava joga a responsabilidade para a Prefeitura, porque teria feito o pagamento das notas para a empresa de segurança. Depois da publicação reclamando da situação, a mulher alega que foi demitida da função, e agora está sem emprego e sem o acerto.

“O transtorno é culpa da Prefeitura que cede o serviço a essas empresas que não garantem os nossos direitos. Ficam só enrolando e enrolando, e não realizam o pagamento. A Prefeitura não fiscaliza essas empresas da qual está contratando o serviço. As empresas que não cumprem os direitos de acordo com a lei”, comentou o vigilante Douglas Chinaglia, 31 anos.

Na sexta-feira, 17, os dois vigilantes e outros colegas de trabalho procuraram o Sindicato de Trabalhadores de Segurança e Vigilância para entrarem com uma ação coletiva na Justiça contra as empresas Celer Seguranças Privada, DG Segurança e NaveSEG, que prestavam serviço de segurança em diversos prédios públicos, incluindo escolas, parques, depósitos e outras repartições ligadas à Prefeitura e que enfrentam as reclamações dos vigilantes.

Segundo o advogado Eduardo Augusto de Oliveira, do sindicato da categoria, as empresas não estão cobrindo com as obrigações básicas como salários, ticktes alimentação e cestas básicas. Ainda segundo Eduardo, as empresas foram notificadas sobre as alegações dos vigilantes e não obtiveram retorno.

“O que estamos buscando é ter o conhecimento se há valores a serem pagos às empresas, os quais pretendemos que sejam bloqueados pela Justiça para que sejam disponibilizados para os pagamentos dos trabalhadores”, disse o advogado.

Eduardo acrescenta que, para o sindicato, a Prefeitura tem a sua responsabilidade frente ao cumprimento dessas obrigações básicas que não estão sendo feitas pelas empresas contratadas.

Nas dependências do sindicato, outros vigilantes que não quiseram se identificar relataram que alguns perderam os empregos por reclamar sobre os salários atrasados e que a Prefeitura teria "pedido" para que as empresas de segurança que prestam os serviços não contratem quem está reclamando da Prefeitura ou procurando a imprensa.

As reclamações vão além. Eles relatam que as empresas não prestam nenhum suporte, como oferecer os equipamentos de segurança durante o trabalho, e que nem horário de jantar têm e adicional noturno não recebem.

Outro lado
Em nota, a Prefeitura de Franca disse que instaurou processo para a apuração de possíveis irregularidades cometidas pela empresa responsável pelo serviço de vigilância do Jardim Zoobotânico - no caso, a Celer Seguranças - e aguarda o envio de documentos, exigidos por lei, por parte da empresa.

Veja a nota na íntegra:

A Prefeitura de Franca mantém pagamentos regulares e, conforme previsto em lei, é preciso que as empresas encaminhem os documentos necessários. Informa também que instaurou processo para apuração de possíveis irregularidades cometidas e aguarda o envio de documentos, exigidos por lei, por parte das empresas.

Já as empresas não foram localizadas para se posicionar sobre as denúncias.