Em apenas 25 dias, mais de 446 milímetros de chuva foram registrados neste mês de janeiro em Franca. O número já é maior do que janeiro inteiro de 2022, quando a Defesa Civil monitorou 338 milímetros de água. A chuva sem trégua pode gerar alguns prejuízos, mas segundo Rafael Stéfani, cafeicultor da região, a produção de café não é uma das afetadas.
Isso porque, com o excesso de água, podem surgir doenças na lavoura e as condições climáticas dificultam o controle, mas há mais vantagens do que desvantagens. Com um histórico recente de poucas chuvas, muitas regiões ainda se recuperam de um déficit hídrico, que pode ser suprido neste período.
“Estamos na fase de granação do café, e as chuvas garantem um melhor enchimento de grãos, o que consequentemente trará na colheita grãos mais uniformes, mais graúdos e um incremento na produtividade”, disse Rafael, administrador da página Café no Brasil.
A expectativa em toda a região da Alta Mogiana é de uma safra maior que a de 2022, que foi comprometida pela estiagem e episódios de geada. Na teoria, a safra de 2023 seria menor ainda que o ano anterior, por conta da bienalidade do café. No entanto, isso não deve ocorrer, segundo as projeções.
“A safra de 2023 foi definida no período de florada do café que foi em setembro e outubro. Ou seja, essas chuvas recentes não farão com que aumente a quantidade de café no pé, pois a quantidade de grãos foi definida na florada. Mas um bom volume de chuvas faz com que tenhamos uma ótima granação dos frutos, onde se torna necessário menos grãos de café pra uma saca de 60 quilos, já que ele mais granado se torna mais pesado, e, consequentemente, uma melhor qualidade do café”, falou Rafael.
Ainda sobre as vantagens da chuva para o café, com as lavouras mais cheias, o cafeicultor ressaltou que novos ramos brotam, servindo para a safra futura.