11 de julho de 2026
TRISTEZA

Familiares choram mortes nas rodovias e vivem com sensação de impunidade

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Colaboração
Taís e Guilherme morte na Portinari; Paulo Sérgio morreu na Ronan Rocha

Uma tristeza que não tem fim. Só quem perde uma pessoa muito próxima pode tentar descrever esse sentimento. Semana passada em Franca, as famílias de Taís Madalena Borges (40) e Guilherme Carlos Nascimento de Almeida (27), vítimas de um acidente na rodovia Cândido Portinari, voltaram a sentir a dor da perda, misturando revolta e sensação de impunidade. Após 40 dias preso, a Justiça concedeu liberdade ao motorista Dênis Costa Vergara Pereira (36), responsável pelo acidente que matou o casal.

A tia de Taís, a autônoma Vambléia Sarroche, 53 anos, é o retrato da família que pede por justiça. “Este crime não pode ficar impune. Minha sobrinha e o esposo dela eram pessoas adoráveis, amigas, alegres e trabalhadoras. A tristeza com a falta deles é grande demais e o que a gente espera é justiça”, disse a irmã da mãe de Taís.

Muito revoltada pela reversão da prisão temporária do motorista para prisão domiciliar, Vambléia disse que a família já está contratando um novo advogado para recorrer da decisão da Justiça. “A gente não consegue entender e acreditar que este cidadão está solto. É muita mordomia para um ser que acabou de atropelar e matar duas pessoas. Nós já estamos entrando em contato com um novo advogado para dar continuidade ao caso, para que em muito breve ele volte para a cadeia”.

A tia lembrou que o casal iria comemorar seis anos de casamento justamente no dia em que foi realizada a Missa de Sétimo Dia da morte deles. “Nossa família está como coração despedaçado, é muito revoltante. Não vamos desistir por justiça, enquanto ele não voltar para cadeia. Lá é o lugar de criminoso”, continuou.

O acidente acorreu na noite de 2 de dezembro, quando Taís e Guilherme, que moravam no Jardim Luiza, zona Norte da cidade, voltavam para casa. Dênis dirigia um Gol e o carro bateu na traseira da moto do casal. O motorista do carro estava embriagado.


Outra família, mesmo sentimento
A sensação de impunidade também faz parte da rotina de outra família em Franca, por conta de um acidente semelhante na Ronan Rocha, próximo à Coca-Cola. Um carro Palio bateu na traseira de uma moto, matando o motociclista Paulo Sérgio Moreira, 56, na noite do dia 8 de agosto de 2022. Neste caso, o responsável pelo acidente fugiu e até hoje, quase seis meses depois, não foi localizado.

Mesmo a Polícia não encontrando o responsável pela morte de Paulo Moreira, a viúva Valdinéia Rosa de Souza, (49) também relata sensação de impunidade e diz que ficou sozinha para criar os três filhos.

“Meu esposo também foi atropelado da mesma forma que aconteceu com esse casal e até hoje a pessoa não apareceu, não foi encontrada. Também vou ter que viver com essa dor, porque já vi que com a justiça daqui da terra eu não vou poder contar. Faz cinco meses de muita dor, e essa pessoa que causou a morte do meu marido segue impune. Acredito na Justiça Divina”, disse a moradora do Jardim Aeroporto, zona Sul da cidade.

A concessionária Arteris ViaPaulista, responsável pela administração das duas vias que cortam Franca, informou que está instalando radares em alguns lugares das pistas para maior segurança nesses trechos que vêm registrando um grande número de acidentes.

Em nota a empresa diz: “A concessionária investe constantemente em melhorias, inovações e campanhas de conscientização para um trânsito mais seguro, com o objetivo de oferecer segurança aos usuários das vias e prevenir acidentes. A Arteris ViaPaulista informa ainda que está implantado radares fixos, que visam estabelecer o controle de velocidade no perímetro urbano de Franca, com o objetivo de prevenir acidentes”.