Após ser notícia nacional, os proprietários da Osvaldo Turismo, empresa tradicionalmente conhecida em Franca há mais de 25 anos, garantiram que não são os contratantes dos ônibus que levaram cerca de 100 pessoas a Brasília (DF) no último fim de semana, quando ocorreram atos golpistas na Praça dos Três Poderes.
A empresa de viagens consta de um relatório de inteligência feito pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), onde os contratos dos dois ônibus que saíram de Franca para o Distrito Federal estão no nome do sócio-proprietário da Osvaldo Turismo, Jeanfrander Araújo.
No entanto, Geanfranderson Talmel Araújo, irmão de Jeanfrander e também sócio-proprietário da empresa, afirmou que há cerca de oito anos as notas fiscais de praticamente todas as viagens são emitidas nos nomes dos proprietários.
“É mais uma forma empresarial para a gente trabalhar. Por uma praticidade, a gente acaba tirando nota fiscal no nosso nome, e na maioria das vezes é no nome do meu irmão. Quando a gente preencheu os dados desta viagem, por um acordo nosso, a gente colocou o nome dele como contratante, assim como na nota fiscal, mas se olhar no histórico da empresa, todas as viagens estão no nosso nome”, disse Geanfranderson.
O sócio-proprietário afirmou que, com a reportagem exibida na última quarta-feira, 11, no Jornal Nacional, eles foram vinculados ao financiamento da viagem que levou os bolsonaristas francanos a Brasília, mas que isso não aconteceu. “Nós recebemos R$ 12 mil por cada ônibus (foram dois), e pagos antecipadamente pelos contratantes que fretaram”.
Esta não foi a primeira vez que um mesmo grupo de manifestantes freta os ônibus do Osvaldo Turismo. Geanfranderson afirmou que houve, pelo menos, outras duas viagens no ano passado com destino a Brasília.
“Depois que retomamos as viagens neste ano, nos procuraram novamente para fretar o ônibus. Fazemos mais viagem para São Paulo e Goiânia, mas desde novembro o movimento caiu. Nós, com despesas, 13º de funcionários, financiamento de banco, vimos uma oportunidade de fazer o fretamento mesmo, uma prestação de serviço para terceiros”, falou. “Não compactuamos com esse ato de terror, de vandalismo. Realmente prestamos um serviço. A gente dá essa resposta ao povo francano em consideração pela nossa história”.
A empresa tem a lista com os dados de todos os passageiros e contratante e afirmou estar à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos. Os dois ônibus fretados retornaram a Franca na segunda-feira, 9, sem passageiros.