A tradição da queima de fogos na virada do ano continua. Em Franca, no entanto, há dois anos ela acontece de forma diferente: silenciosa. Ao menos é isto o que prevê a Lei Complementar Municipal de 2020, que determina a proibição de fogos de artifício com barulhos.
A lei prevê um limite de ruídos com intensidade de até 65 decibéis com o objetivo de amenizar crises e problemas com idosos, enfermos, autistas e animais – principalmente cães e gatos. Em caso de descumprimento da lei, a punição é de multa de aproximadamente de R$ 1,5 mil.
Angela Wackers, de 33 anos, é mãe do Francisco, de 9 anos. A criança tem autismo e essa época do ano causa sempre uma preocupação na família, justamente por conta do barulho dos fogos no Réveillon. “A gente tem receio porque é uma caixa de surpresas. Costumamos preparar o Francisco com antecedência, avisamos que haverá barulho, que tem luzes, mas mesmo com todo preparo, sempre tem desconforto no fim”, falou.
Segundo a mãe, o barulho dos fogos causa irritabilidade e Francisco sempre chora. Por isso, optam por colocá-lo para dormir antes da queima. “Percebemos que houve uma diminuição no barulho com a lei. O problema é que a regulamentação não chega às festas particulares. Sempre tem alguns pontos que acabam excedendo e não respeitando”.
Carlos Roberto, proprietário do Fogos Beto, afirmou que os consumidores têm se preocupado com isso na hora da compra. “Pensando em todos os transtornos, até mesmo os fabricantes estão com outros tipos de fogos de artifício, que amenizam o barulho. A pessoas estão optando por aqueles que brilham, mas que não incomodam”.
O empresário ainda afirmou que com a Copa do Mundo e eleições, chegou a faltar produto para o Réveillon. No entanto, Beto garante: há opções disponíveis para todos os gostos e festas.