O sonho de qualquer jornalista esportivo é acompanhar de perto uma Copa do Mundo. Inserido no mundo do futebol desde o início da carreira, o jornalista francano Matheus Pimenta também compartilhava deste sonho. Só não esperava que chegaria tão perto aos 26 anos.
Neste ano, Matheus decidiu deixar o time de assessoria de imprensa do CSA (Centro Sportivo Alagoano) e iniciar um mestrado em Lisboa, Portugal. Algumas semanas depois de chegar no novo país, um colega de sala contou que iria cobrir a Copa do Mundo e se Matheus gostaria de acompanhá-lo em Turim, na Itália, antes da abertura do evento.
“Ele ia como freelancer cobrir os treinos da seleção brasileira em Turim e me perguntou se eu não queria ir com ele, já que a passagem era barata. Eu topei, claro, e conseguimos ir através do cadastro na CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Fui como repórter cinematográfico”, falou Matheus.
Do dia 13 ao dia 19 de novembro, o francano esteve na Itália para acompanhar os treinos do time, com direito a entrevistas coletivas e acesso total da imprensa na maioria dos dias. O que mais impressionou, além da energia da Copa do Mundo que estava prestes a iniciar e dos dias frios na cidade, foi a qualidade dos jogadores brasileiros.
“É incrível ver o nível dos caras. Minha principal reflexão foi a seguinte: esses talentos jogam em times da Europa, mas imagina se jogassem, de fato, no nosso futebol brasileiro. Nosso futebol seria muito bom”, ressaltou Matheus.
A experiência de estar no meio de grandes jornalistas esportivos do mundo todo também foi marcante. O francano afirmou que, de Turim, todos que acompanharam o time brasileiro seguiriam para Doha, para acompanharem os jogos – ele voltou para Lisboa. O destaque vai para a mudança de temperatura: enquanto na Itália a imprensa experimentou um frio de 6°C, no Qatar os termômetros batem os 30°C.
“Quando vim para Portugal, não tinha plano nenhum, cheguei em setembro. Para mim, treino da seleção nem passava pela minha cabeça. Eu cheguei, passou um mês e meio eu já estava comprando passagem. Foi uma coisa rápida, mas estar ali dentro foi algo que me engrandeceu, uma sensação de realização”, falou. “Não pensava que já seria nesta Copa que eu participaria de alguma forma, mas sempre dá um gostinho de quero mais, então se dessa vez eu cobri os treinos, nas próximas quero cobrir os jogos”.
Material dos treinos
Além de ajudar o colega de sala com o material, Matheus também teve suas fotos e vídeos em grandes veículos de imprensa do Brasil. Neymar, Casemiro e Tafarel foram flagrados pelas lentes do francano com registros emblemáticos.
“O principal de uma foto na minha opinião é a forma como você transmite o sentimento, como a foto conversa com quem está vendo, sem precisar contextualizar. Tafarel, por exemplo, foi conversar com o pessoal na arquibancada e fez vários gestos legais. Neymar se desculpou com Alex Telles e rendeu um bom registro... Não me considero exatamente um fotógrafo, mas consigo fazer boas fotos.”
Mesmo sem seguir viagem para o Catar, Matheus reforçou que, por um dia ter escolhido o jornalismo, ele chegou a lugares que não tinha planos. Um jovem que sempre brilhou os olhos com o futebol teve a oportunidade de acompanhar atletas de primeiro escalão. “Isso me faz buscar novos ares, é engrandecedor”.