11 de julho de 2026
ESPECIAL

Hospital Estadual e NGA: Franca completa 198 anos com Saúde 'respirando por aparelhos'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Movimentação no Pronto-socorro 'Dr. Álvaro Azzuz': demora no atendimento

Sem dinheiro, 25 mil francanos migram para o SUS e levam PSs à beira do colapso.

40 pacientes estão em PSs à espera de transferências para hospital, mas não há vagas.

Se você acompanha o portal GCN, possivelmente leu estes títulos. As reportagens, que foram publicadas nos meses de junho e agosto deste ano, são apenas exemplos de várias que mostram as dificuldades vividas pela população. Franca completa 198 anos nesta segunda-feira, 28 de novembro, e a rede pública de saúde continua sendo o seu grande "tendão de Aquiles".

Quem nunca escutou reclamações sobre a demora no atendimento em prontos-socorros e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) ou sobre a falta de leitos em hospitais públicos da região? Estes e outros problemas já existiam nas administrações passadas, mas, com os impactos causados pela pandemia do coronavírus, a situação se agravou ainda mais.

Não é para menos. De março de 2021 até junho de 2022, mais de 25 mil pessoas deixaram os convênios particulares e migraram para o Sistema Único de Saúde (SUS) em Franca. Segundo a secretária municipal de Saúde, Waléria Mascarenhas, são pacientes que nunca passaram por uma UBS (Unidade Básica de Saúde), UPA ou PS e agora são atendidos na rede pública.

O resultado desta conta, a população enxerga diariamente. No mês de setembro, 28.809 pacientes foram atendidos no Pronto-socorro Adulto "Dr. Álvaro Azzuz", 11.382 crianças no PS "Dr. Magid Bachur Filho", 15.377 na UPA do Jardim Aeroporto e 11.213 pessoas na UPA do Jardim Anita. Quando somados, as quatro unidades totalizam 66.781 atendimentos – uma média de 2.226 chamados por dia.

Apesar de o mês de outubro não ter acabado, o número de atendimentos já se aproxima ao contabilizado em setembro. Ao todo, 63.533 chamados foram registrados entre o dia 1° e a última quinta-feira, 24.

Na última sexta-feira, 25, 21 pessoas estavam registradas na Croos (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) aguardando a liberação de vagas em hospitais públicos.

Além dos impactos causados pela pandemia, Franca enfrentou ondas de casos de gripe e de dengue. Neste ano, até a última quinta-feira, 24, foram 7.034 infecções causadas pelo mosquito Aedes aegypti.

E o Hospital Estadual?
A solução para o caos vivido na rede pública de saúde, pelo menos para os políticos, tem nome e sobrenome: Hospital Estadual de Franca. A obra foi anunciada pelo governador Rodrigo Garcia (PSDB) durante visita realizada no dia 4 de abril deste ano.

Antes mesmo de o primeiro tijolo ser assentado, a construção já ganhou capítulos dramáticos e pautou discussões durante as eleições deste ano, principalmente após a derrota nas urnas de Garcia já no primeiro turno. Com Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo estadual no segundo turno, os paulistas optaram pelo candidato bolsonarista, que prometeu durante a campanha dar continuidade na obra tucana.

Os francanos precisaram se "contentar" com a promessa feita por Tarcisio e agora aguardam o início da construção. O lançamento da obra do Hospital Estadual está marcado para as 9 horas desta quarta-feira, 30, com a presença confirmada do governador Garcia.

O projeto prevê mais de 31 mil metros quadrados em um terreno na avenida São Vicente, na zona Sul da cidade. Serão poucos mais de 200 leitos, e o prazo para conclusão é de três anos. O investimento é de R$ 149,8 milhões.

Em entrevista exclusiva concedida ao programa A Hora É Essa!, da rádio Difusora, na última quinta-feira, 24, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) disse que o hospital proporciona um "alento" na saúde. "Uma possibilidade de termos aí por 15 a 20 anos as nossas necessidades supridas sem dúvida alguma de Franca e região".

Novo NGA
Não é só de Hospital Estadual que vive o planejamento para a saúde pública da cidade. A Prefeitura pretende investir em torno de R$ 35 milhões na construção de um novo NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) na avenida Jaime Telline, na zona Leste. Deste total, R$ 15 milhões vieram de emendas impositivas dos vereadores da Câmara Municipal de Franca.

O projeto está sendo finalizado para o orçamento entrar em votação na Câmara Municipal. Após ser aprovado, será aberta a licitação de contratação de uma empresa para realização da obra.

Novo pronto-socorro descartado?
Alexandre Ferreira foi incisivo ao dizer que Franca tem outras "prioridades" antes da construção de um novo pronto-socorro. Neste momento, o foco é no Hospital Estadual, NGA e outras três UBSs, localizadas no Jardim Parati, bairro City Petrópolis e no Residencial São Domingos. As três unidades totalizam R$ 7,1 milhões em investimentos.

"A gente dá uma desafogada no corpo, porque a maioria dos problemas vão ser resolvidos nas unidades básicas", disse o prefeito.

Apesar de não estar no planejamento neste primeiro momento, a administração já "escolheu" uma região para abrigar um novo PS. "Se você pensar que a UPA do Aeroporto atende a região Sul da cidade, o 'Álvaro Azzuz' (recebe as zonas) Norte e Centro, e a UPA do Anitta a região Oeste, temos na Leste um descoberto, (...) provavelmente um novo pronto-socorro, quando vier, deve ser construído perto da região Leste".

Faltam médicos?
Ainda segundo Alexandre, Franca não carece de profissionais na área. "Tem muito médico, muito enfermeiro, muito técnico e de qualidade (...) a gente contratou nesses últimos 10 meses quase 300 novos profissionais para a saúde".

Franca completa 198 anos, e a população aguarda dias melhores na saúde pública como presente.