Lê Magalhães, de 19 anos. Se você estuda na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca possivelmente conhece ou já ouviu falar deste nome. É o primeiro transgênero a ser eleito para presidente da coordenadoria geral do Centro Acadêmico de Direito da universidade.
Segundo Lê, a Coordenadoria Geral é quem representa legalmente o Centro Acadêmico. A repartição também é responsável por orientação às demais coordenadorias do Centro Acadêmico, que é responsável por discutir as movimentações políticas e sociais no campus da Unesp.
Transgêneros já ocuparam ou ocupam outras coordenadorias dentro do Centro. Lê, por exemplo, é coordenador de cultura e eventos da Unesp. Após assumir, o objetivo passou a ser a pasta geral.
Lê é membro da chapa AmarElo – nome que faz alusão ao álbum do rapper Emicida, tratando da construção coletiva, representatividade e proposição. O transmasculino, como prefere ser chamado, montou uma carta-proposta abordando os objetivos para o curso de Direito. Anticapitalismo, antirracismo, a luta do movimento LGBTQIA+, a luta ambiental, anticapacitista e contra a psicofobia são as temáticas abordadas e defendidas.
"A luta contínua pela implementação de cotas nas universidades públicas para pessoas transvestigêneres e a contínua cobrança de uma resposta da reitoria da Unesp sobre o ofício para melhores condições de uso de nome social para pessoas trans na universidade, o qual foi enviado pela última gestão do Centro Acadêmico", ressalta.
As urnas foram fechadas às 21h30 desta quarta-feira, 23. Com 258 votos, a chapa AmarElo foi eleita, e Lê Magalhães foi eleito para presidente da Coordenadoria Geral do Centro Acadêmico da Unesp Franca.
"A partir de agora almejo que possamos ter cada vez mais a população trans nos centros acadêmicos, assim como muitas pessoas de nós já estão nesse espaço da Unesp de Franca", finaliza.