O mercado virtual está cada vez mais forte. As compras online já são feitas por uma grande parcela de pessoas. Pregões eletrônicos com propostas de várias áreas, inclusive leilões de animais, também não são mais novidade.
Em Franca, os tradicionais leilões do Canil Municipal caminham para o formato online. Os motivos para acelerar a transformação são ameaças, intimidações e constrangimento durante os arremates, principalmente de animais de grande porte.
Franca vive uma onda de pessoas passeando a cavalos aos fins de semana e feriados. Ao mesmo passo em que o número de cavaleiros aumenta na cidade, a quantidade de animais que sofrem maus-tratos também cresce consideravelmente.
Um levantamento da Prefeitura, através da Guarda Civil Municipal, aponta que neste ano foram registradas 265 ocorrências envolvendo animais de grande porte, muitas são denúncias de maus-tratos. Capturados, os animais são levados para o Canil Municipal e recuperados, indo a leilão posteriormente.
De início, os proprietários não aparecem, com receio de punições e por ser crime, segundo o Código de Defesa dos Animais. Mas durante os leilões, os donos desses animais aparecem e participam dos lances coagindo, intimidando e ameaçando os interessados em adquirir os animais.
Por conta disso, os vereadores que compõem a Comissão do Meio Ambiente e dos Animais da Câmara de Franca estudam proposta de mudança da modalidade presencial para ser realizada online.
“Enquanto Comissão, estamos concluindo um projeto de lei para endurecer mais as regras. As pessoas chegam ao absurdo de intimidar as outras pessoas que vão ao leilão para dar lances pelos animais. Eles coagem as pessoas a não darem lance para os cavalos saírem baratos e eles comprarem novamente. É impressionante. Nós estamos tentando uma forma de evitar essa situação”, disse Ronaldo Carvalho (Cidadania), relator da Comissão Permanente.
O vereador disse que o projeto ainda passará por Audiência Pública para melhor formatação. “Uma das ideias é fazer o leilão online. Porque aí, a pessoa não tem como intimidar a outra interessada na compra do animal. Vamos ver qual é o tramite pra gente poder fazer isso”.
Proibição a menores
O projeto deve contemplar outros prontos, como a proibição de menores de idade a andar a cavalo no perímetro urbano sem a tutela de um adulto. Outra questão é aumentar o valor da multa.
“Nosso esforço é para tentar barrar essa quantidade absurda de animal de grande porte que há em nossa cidade. Já foi testada a microchipagem, a captura, mas eles conseguiram burlar. Pode observar que a maioria dessas pessoas que andam a cavalos é menor de idade, causando problemas, maus-tratos e acidentes”, destacou Ronaldo.
A vereadora Lindsay Cardoso (Cidadania), presidente da Comissão do Meio Ambiente e dos Animais, que também é protetora de animais, já havia se mostrado indignada com os maus-tratos e com os atos de vandalismo ocorridos na cidade por pessoas usando cavalos durante esses passeios, recentemente.
“Essas pessoas deveriam ir para a cadeira. É um absurdo o que está acontecendo na cidade. Se uma pessoa não tem condições de ter um animal, não o tenha. O projeto visa à proibição de menores de idade a circular em vias públicas com animais de grande porte, considerando que vários dos casos de maus-tratos são praticados pelos próprios donos desses animais que são adolescentes, em sua maioria. Alguns têm utilizado cavalos para vandalizar portas de estabelecimentos comerciais e não têm noção de posse responsável”.
O projeto de lei deverá ser protocolado na Câmara Municipal e, posteriormente, discutido e Audiência Pública.