Rodovias paralisadas de Norte a Sul. Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) não reconhecendo a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Faixas pedindo intervenção federal e caminhões parados. Esse foi o retrato do país nos últimos cinco dias. Em Franca, o cenário foi ainda mais caótico.
Os transtornos começaram na tarde da última segunda-feira, 31, quando manifestantes fecharam uma das faixas da rodovia Cândido Portinari, em frente ao Posto Paineirão, em protesto ao resultado da eleição presidencial. Por volta das 18 horas, centenas de pessoas estavam reunidas, os caminhoneiros foram coagidos a pararem e foi colocado fogo em pneus.
Os primeiros resultados já eram sentidos pela população. Três empresas cancelaram as viagens intermunicipais e ônibus “bate-volta” por conta das paralisações nas rodovias. Ainda na segunda-feira, a Unifran (Universidade de Franca) anunciou aulas on-line para não prejudicar os alunos que moram em outra cidade e estudam na instituição.
Terça-feira
Se enganou quem pensou que as manifestações durariam apenas um dia. O grupo fechava as faixas da Cândido Portinari por alguns minutos e depois liberava durante a manhã de terça-feira, 1°. Tratores e colheitadeiras foram usados no bloqueio no período da tarde. A fila de caminhões parados aumentava, enquanto apenas carros e outros veículos leves passavam. A ponte Rifaina-Sacramento, que liga os estados de São Paulo e Minas Gerais, estava interditada.
O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (SP), anunciou que cumpriria a decisão da Justiça para liberar as rodovias estaduais. Os donos dos veículos que tivessem obstruindo as vias seriam multados em R$ 100 mil e ameaçou usar a Tropa de Choque da Polícia Militar para abrir as estradas. “Vamos fichar e prender quem resistir. Se necessário, vai haver uso da força”.
Ainda na terça-feira, no período da noite, quatro policiais militares rodoviários apareceram batendo continência para os manifestantes. O vídeo foi divulgado nas redes sociais. Questionado, um PM alegou que eles estavam utilizando meios para acalmarem o público e seguirem com as negociações para liberação da pista. O vídeo viralizou e causou muita repercussão nas redes sociais.
Quarta-feira
O Dia de Finados, celebrado na última quarta-feira, 2, foi marcado pelo protesto em frente ao Tiro de Guerra de Franca. Os primeiros bolsonaristas chegaram pela manhã e o movimento tomou força por volta das 14 horas. Apesar das centenas de pessoas, não houve gritos de guerra e nem discursos.
Acontecendo de forma paralela, milhares de manifestantes se reuniram nas proximidades no Paineirão. Faixas pedindo intervenção federal foram penduradas na passarela e no canteiro central da rodovia. Crianças, adultos e idosos participavam cantando o Hino Nacional e “saudando” os veículos que passavam e buzinavam.
Após o público ir embora, a rodovia Cândido Portinari foi liberada e os caminhoneiros que estavam parados foram “libertos” do bloqueio durante a noite de quarta-feira.
Quinta-feira
Com a rodovia aberta, os ônibus intermunicipais e os “bate-volta” retomaram a circulação normalmente na quinta-feira, 3. O trânsito se reestabeleceu nas rodovias da região. Os remanescentes se reuniram no TG, com uma faixa pedindo intervenção federal. Camisetas e bandeiras do Brasil eram maioria.
Sexta-feira
Com público reduzido, algumas pessoas seguiam na Cândido Portinari na sexta-feira, 4. Apesar disso, não houve paralisações e o trânsito fluiu normalmente. Já nas imediações do Tiro, maquinários estavam estacionados e faixas seguiam penduradas. Em ambos os locais, foram montadas barracas para guardar alimentos e bebidas, numa espécie de "base de apoio".
Sábado
Ao grito de “S.O.S Forças Armadas”, cerca de 80 manifestantes seguiam reunidos nas imediações do TG na manhã deste sábado, 5. O grupo também estampava faixas com os dizeres: “não vamos entregar nosso Brasil ao Comunismo”, “o poder emana do povo” e “resistência civil”. Oito tratores seguiam na praça da Capelinha.
Apesar dos ânimos a for da pele, as manifestações parecerem estar perdendo força. Ainda assim, segue o inconformismo de milhares de brasileiros, inclusive em Franca, pela derrota de Jair Bolsonaro nas urnas.