Depois de mais de 48 horas, os manifestantes que não aceitam a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais, finalmente, liberaram na noite desta quarta-feira, 2, a rodovia Cândido Portinari, em Franca.
A liberação das pistas e também dos caminhoneiros que estavam sendo coagidos a não irem embora aconteceu por volta das 21h, momentos depois de o presidente se pronunciar em suas redes sociais, pedindo a desobstrução das rodovias em todo o país.
A concentração em frente ao posto Painerão, na zona Norte de Franca, foi se desfazendo ao decorrer da noite. Um grande número de caminhoneiros quando liberados já foi embora do local, mas a maioria decidiu dormir no posto por causa da chuva e do horário. Há também aqueles que continuam por causa da manifestação que pede intervenção federal.
Equipes da Polícia Militar Rodoviária, da Polícia Militar e do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) estavam ainda no local por volta das 23 horas desta quarta.
Vários maquinários agrícolas, como tratores e colheitadera, e um caminhão permaneciam no canteiro central e no acostamento da pista.
Ato golpista levou milhares de pessoas para interdição
Os atos pró-Bolsonaro começaram em Franca na segunda-feira, 31, quando apoiadores radicais do presidente se organizaram para uma manifestação que contaria com a "paralisação dos caminhoneiros".
Em Franca, como em todo Estado, a grande adesão foi de moradores da cidade, que interditaram a rodovia Cândido Portinari em seus dois sentidos, em alguns momentos. Na maioria, os caminhoneiros que estavam no lugar era porque foram impedidos de seguir viagem.
Em um ponto usado em protesto de caminhoneiros, os moradores francanos jogaram pneus, madeiras, pedras e até terra, o que provocou um leve acidente.
A via no sentido Franca a Cristais Paulista era a que, com mais frequência, permanecia parcialmente interditada pelos manifestantes, que só autorizavam a passagem de veículos leves, utilitários, ambulâncias e caminhões com carga viva.
Caminhoneiros que se apoiavam ao movimento paravam seus veículos no posto, mas os que queriam continuar viagem eram coagidos a ficarem.
O movimento gerou uma cena condenada pela Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo: policiais militares rodoviários prestaram continência aos manifestantes golpistas, na noite de terça-feira, 1º.
Durante o feriado de finados nesta quarta-feira, o movimento levou uma multidão à rodovia.