O “Outubro Rosa”, campanha anual que levanta a bandeira da luta contra o câncer de mama e colo de útero, acontece em todo o país com o intuito de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença, proporcionar mais acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.
Em Franca, unidades de saúde e o Hospital do Câncer oferecem, de forma gratuita, serviços e oportunidades às mulheres, de diagnósticos e tratamentos.
O câncer é uma doença que pode ser desenvolvida de diversas formas. O de mama, especificamente, é causado por disfunção hormonal que acaba criando nódulos e pode invadir e prejudicar outras regiões do corpo.
"Via o nódulo em meu corpo"
O medo, receio e preocupações são fatos que fazem com que mulheres prorroguem ou, às vezes nem realizem exames para ter um diagnóstico que confirme o câncer ou não. “Eu luto contra o câncer há quatro anos, mas só recentemente comecei o tratamento dele. Eu já via o nódulo no meu corpo, sabia o que era, mas não queria fazer o exame e ter certeza daquilo”, declarou Kátia Helena Soares, 53 anos.
Kátia explica que o medo foi o principal fator que a deixou estremecida em relação à luta contra o tumor em seu corpo, porém, já completa 7 meses de tratamento que deu início neste ano, contra o câncer. “Quando acontece isso sua vida para e você perder a esperança. Nunca doeu o caroço no meu corpo, crescia um pouco às vezes, mas foi só agora, em outubro do ano passado, que realizei o diagnóstico, e neste ano que comecei os procedimentos”, relata.
"Não quero morrer"
Em outros casos, como o de Gabriela Cristina Bernardes, 40, o câncer pode pregar peças e somente ser descoberto com exames e profissionais específicos. “Procurei pelo médico e ele prontamente me pediu uma mamografia, eu fiz e quando veio o resultado, ele me disse que não era nada, que eu não tinha que me preocupar e que era uma calcificação”, explicou Gabriela.
Ainda em suas palavras, um ano após o fato, voltou e realizou outro exame, com o mesmo resultado. Intrigada pediu um encaminhamento até outro profissional, com outra especialização e foi onde descobriu o seu câncer. “Quando ele terminou o exame clínico me pediu uma biópsia com urgência. Eu fiz a biópsia e o resultado não era o que eu queria ouvir, eu tenho um câncer lobular. Ele me disse que esse tipo de câncer que eu tenho nunca vai aparecer numa mamografia, no ultrassom e tão pouco numa ressonância magnética”. Gabriela enfrenta o câncer desde abril deste ano.
“Eu estou doente, mas eu não me sinto doente. No começo sim, num primeiro momento eu me desesperei, questionei por que eu. Lógico que passa na pela cabeça a morte, né? ‘Eu não quero morrer’ – me lembro de dizer isso algumas vezes”, disse Gabriela. “Depois o que eu pensei foi: não queria estar com câncer, mas eu estou! Então eu não tenho outra opção a não ser me tratar e eu preciso estar bem para ficar bem”.
A esperança é fonte de força para quem lida com o câncer. Há 2 anos, Gislaine Fernandes da Silva, 35, enfrenta a doença. Em 2020, Gislaine descobriu um nódulo, que após complicações acabou se espalhando para outros lugares, com múltiplos no pulmão esquerdo e acabou sofrendo lesões ósseas.
“Eu fui ao médico e lá descobri, em 2 a 3 meses a situação complicou e fui para o Hospital do Câncer já com uma metástase em alguns lugares do corpo”, relata Gislaine.
Ainda em suas palavras, Gislaine diz que as quimioterapias foram um sucesso e houve retrocesso da doença no seu corpo. “Por mais que seja um tempo bem extensivo, eu creio que vai dar tudo certo, hoje me vejo com muita esperança. Graças a Deus tenho muita fé. Enquanto há vida há esperança e eu luto por algo, luto pelo meu futuro, para viver cada dia de uma vez.
Hospital do Câncer
O Hospital do Câncer de Franca completou 20 anos em janeiro de 2022, com uma importante história no atendimento à comunidade francana, assim como Gislaine, Gabriela e Kátia. Além de Franca, outras 20 cidades da região são atendidas pelo hospital, que registra mais de 40 mil atendimentos anuais entre consultas, procedimentos e sessões de radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia, entre outros.
“O tratamento é muito bom, as meninas que nos tratam lá (no Hospital do Câncer) são muito boas. Você pode chegar do jeito que for, só de olhar na carinha delas você já melhora 100%”, disse Kátia com júbilo na voz. “A melhor coisa que a pessoa pode fazer é aceitar que tem, aceitar que está doente e que precisa passar pelo tratamento. A pessoa precisa aceitar isso, precisar aceitar a esperança e lutar”.