Capital do Calçado. Para Franca receber esse título, milhares de trabalhadores levantaram cedo nas últimas décadas para fabricação de sapatos para o mundo. Nesta terça-feira, dia 25 de outubro, este emblemático profissional comemora o Dia do Sapateiro. O setor comemora a data e a recuperação após os impactos econômicos causados pela pandemia do coronavírus nos últimos anos.
As fábricas e bancas de calçados empregam formalmente 18 mil sapateiros, além daqueles que não têm carteira de trabalho assinada na cidade. Com este efetivo, o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, prevê 22 milhões de pares fabricados e um faturamento de R$ 2,750 bilhões neste ano.
O resultado é positivo comparado aos últimos anos. O setor fechou com 16,7 milhões de pares produzidos em 2020. Além da covid-19, a crise rondava as indústrias da cidade. “Tivemos uma recessão no país em 2014. Mas temos que isso é fruto de uma desindustrialização do país que iniciou em janeiro de 1986”, disse Brigagão, em matéria publicada pelo portal GCN em dezembro de 2020.
Para os próximos anos, a indústria pretende repetir o resultado de 1993. Franca exportou 15,5 milhões de pares e arrecadar US$ 256 milhões, equivalente a R$ 1.354.240.000, segundo a atual cotação. Outro objetivo é igualar ao ano “mágico” de 2013. “O nosso desafio é voltar a produzir nos patamares de 2013 (...) atingimos quase 100% da capacidade instalada”.
O futuro está ligado ao resultado das urnas no próximo domingo, 30. “O cenário de hoje, mediante essa polarização por causa da eleição, deixa uma incerteza (...) vai depender da política pública adotada pelo novo governo, seja um ou outro”.
A política não é o único imbróglio no caminho da indústria calçadista. A falta de funcionários assombra o setor, que assiste cada vez menos pessoas interessadas em trabalhar na área. Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Wellington Paulo de Oliveira, muitos cursos de capacitação em calçados, antes gratuitos, agora são cobrados.
“O trabalhador que tiver condição de pagar um curso para ingressar no mercado de trabalho, ele não vai escolher ser sapateiro. Até os pais dessas crianças não querem investir dinheiro para ver seus filhos trancados dentro de uma fábrica”.
Apesar de todas as dificuldades, a previsão é positiva para os próximos anos e o orgulho da profissão permanece vivo no coração de milhares de francanos. “A gente é sapateiro. É difícil falar em palavras a importância”, finalizou.