"Há 60 anos inaugurei a primeira loja de flores em Franca. Nunca tive dois anos tão encrespados iguais esses dois últimos anos (2021 e 2022)". As palavras do floricultor Aureliano Flora Borges, conhecido popularmente como Liliko, descrevem as dificuldades vividas pelo setor.
O período que antecede o feriado de Finados, celebrado na quarta-feira da próxima semana, dia 2 de novembro. Essa é a oportunidade para comerciantes de flores e velas aumentarem suas vendas no ano.
No caso das flores, Liliko aponta um aumento superior a 30% no valor das plantas durante a data.
"Está caríssimo. O vasinho de flor do campo, que normalmente a gente venderia por R$ 30, deve ir para uns R$ 40 a R$ 45. Outro vaso que sai muito, que se chama belga, é uma margaridinha, vai sair por uns R$ 70 a R$ 80. A rosa está caríssima".
Se engana quem acha que o aumento é visando "exclusivamente" o lucro. O setor sofre com a falta de abastecimento. "Não tem quantidade, é o tanto que eles podem arrumar".
Liliko explica que a Holanda, um dos principais produtores do mundo, precisou triturar milhares de flores durante a pandemia do coronavírus. Sem eventos, o produto não foi vendido e o mercado ainda sente os efeitos. Um deles é a insegurança.
"Na Holanda parece que diminuiu cerca de 40% dos plantadores (...) porque estão com muito medo de trabalhar com flores".
Com menos plantadores, alguns tipos estão desaparecendo das "prateleiras". "Há vários tipos de flores que não são plantadas mais, porque são mais caras para cultivar. São quatro a cinco tipos que não são mais plantadas".
Os familiares que não abrem mão de levarem flores ao túmulo do ente querido precisam encomendar com antecedência para não ficar sem.
Velas
Outro produto com bastante saída no período é a vela. Na fábrica Velas São João, no Jardim Aeroporto, as vendas aumentam em mais de 60% pelo feriado.
Enquanto nos meses "normais" a fábrica vende de 8 mil a 9 mil velas. Nas proximidades do feriado, o número cresce para 25 mil unidades. "As velas nessa época são imprescindíveis, as vendas aumentam bastante", disse a atendente da empresa, Rose Aparecida Silva.
Grande parte das velas são vendidas para floriculturas, mercearias, supermercados, tabacarias e varejões. Segundo Rose, os revendedores costumam comercializar as velas palitos 50% mais caras. Na prática, a unidade é encontrada por R$ 1,50 a R$ 2.
A fábrica não sentiu queda nas vendas este ano. Para isso, atribuem a estabilidade pela qualidade do produto. "Já está difícil ganhar o dinheiro, ele (o cliente) também não quer comprar um produto de má qualidade".
Sejam flores, velas ou qualquer que seja o item, centenas de francanos visitarão os cemitérios municipais no próximo dia 2 de novembro para orar, recordar e agradecer os momentos vividos ao lado do ente querido.