A avenida Geralda Rocha Silva, que liga a zona Oeste à zona Norte de Franca, se tornou uma das vias com o trânsito mais perigoso da cidade. A avenida não é uma das mais extensas que cortam o perímetro urbano, mas virou uma das mais movimentadas com o passar dos anos por conta da expansão daquela região.
Em um trecho da avenida, existe uma mata - Área de Preservação Permanente -, que não possui espaço para construir calçada, colocando em risco os pedestres. No mesmo trecho, o estacionamento é permitido apenas de um lado da via de mão dupla e pista simples. Os moradores na avenida encontram dificuldades até para manobrar os veículos para entrar ou sair da garagem.
O número de acidentes também é uma preocupação dos moradores e dos motoristas que utilizam aquele caminho diariamente. Um acidente ocorrido no último dia 16, que terminou com a morte de um motociclista, expôs definitivamente o perigo que o trânsito oferece longo da avenida.
A via margeia os bairros Jardim Tropical I e II, Jardim Portinari, com prolongamento até a avenida Abrahão Brickmmann, no Parque Vicente Leporace. Na outra ponta, ela liga a avenida Severino Márcio Pereira Meirelles até a rodovia Nelson Nogueira, que começa na Vila São Sebastião e segue para Ribeirão Corrente.
O vigilante Jaime Pavani de Souza, 55 anos, que reside na avenida, próximo à mata, há quase 30 anos, disse que o trânsito ficou muito perigoso devido à expansão da cidade e a abertura de vários bairros naquela parte de Franca. “De uns seis anos pra cá, a gente não imaginava que essa avenida passaria a ter um fluxo de veículo tão intenso. Temos dificuldades até para colocar e tirar o carro da garagem. A gente dá seta, mas o pessoal não respeita, não param pra gente poder manobrar."
Jaime levantou outro problema além do trânsito. A falta de calçada do lado da mata para passagem de pedestres, principalmente de crianças que frequentam uma creche próxima à sua casa. “Nós pagamos os impostos dos dois lados da avenida, mas do lado da mata não tem calçada. Existe uma creche aqui do lado, não há calçada e sequer lombofaixas para as crianças atravessarem a via. É um perigo grande. A avenida também é muito escura, falta iluminação”.
Também moradora próxima, a dona de casa Eunice Alves de Oliveira, 59 anos, espera que a via seja duplicada e receba uma melhor sinalização de trânsito. “Dias desses, ia para a missa e precisava atravessar a avenida. A motorista de um carro parou pra eu passar, quando eu fui, veio uma moto e quase me atropelou. Ninguém respeita nada. A mata também está tomada de moradores de rua. Estamos com receio até de abrir o portão. No horário de pico, não dá nem para tirar o carro da garagem”, contra ela.
Danilo Costa Florentino, 41 anos, gerente de loja de conveniência em um posto de combustível localizado na “avenida do medo”, disse que já presenciou "barbaridade" no trânsito. “Essa avenida está muito perigosa, tem muitos motoristas que passam dirigindo e falando ao celular. Aqui tem muitos pontos comerciais e precisa de lombadas. Já vi muitos acidentes. Esse último acidente foi até com um amigo nosso, que morreu de moto, ele se chamava Luís e era vendedor da Fors. Gente boa”, lamentou o gerente da loja.
Danilo disse que os moradores fizeram um abaixo-assinado encaminhando o documento para o poder público reivindicando lombofaixas em alguns pontos da via. “Ninguém respeita limite de velocidade. Já estiveram aqui (setor de trânsito), conversaram com as pessoas, mas não resolveram nada até agora. Eles devem estar esperando acontecer mais acidentes ainda para poder tomar providências”.
Há um ano, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) gravou um vídeo e publicou em suas redes sociais divulgando um projeto de duplicação da avenida Geralda Rocha Silva, mas a promessa ainda não saiu do papel.
“A avenida tem um movimento imenso e é pista simples. Então, dificulta o estacionamento, dificulta os comerciantes, dificulta quem usa pra lá e pra cá, quem usa pra fazer essa ligação”, disse o prefeito, na época. Na ocasião, disse também que a Prefeitura iria viabilizar outra área verde para fazer a troca e iniciar a obra.
Nessa semana, o secretário de Infraestrutura da Prefeitura, Nicola Rossano, informou que o projeto foi dividido em etapas. A primeira está concluída, que é a licença ambiental junto à Cetesb. A segunda etapa foi a conclusão de elaboração dos projetos. “Os recursos necessários para a obra são avaliados em cerca de R$ 3 milhões e estão sendo viabilizados para abertura de licitação, ainda este ano”, disse o secretário.