A doença mão-pé-boca, causada pelo vírus Coxsacki, chegou às creches municipais e tem afetado o funcionamento das unidades escolares, 10 precisaram ser fechadas total ou parcialmente para serem tomadas medidas de controle do vírus.
Equipes da Secretarias de Educação e Saúde estão mobilizadas para acompanhar de perto a proliferação do vírus contagioso nas creches.
Segundo a Secretaria de Educação, atualmente, apenas a creche Escola '"Raimundo Cordeiro", localizada no Residencial Paraíso, que atende a 190 crianças, está com as atividades totais suspensas desde a última segunda-feira, com previsão de retorno do funcionamento a partir de segunda-feira, 3 de outubro.
O NEI (Núcleo de Educação Infantil) "Tomas e Aparecida Novelino", que fica no Distrito Industrial, com 220 crianças, já retomou o atendimento nesta quinta-feira, 29.
Já a creche-escola "Antonieta Covas do Couto Rosa", localizada no Jardim Aeroporto 3, que atende a 219 crianças, terá o seu funcionamento interrompido a partir da próxima segunda-feira, 3. A previsão para o retorno do funcionamento da unidade é para o dia 10 de outubro.
Outras 7 creches tiveram o atendimento suspenso de forma parcial, de apenas uma ou duas salas, sendo elas:
- Creche-escola "Estrela de Davi", no bairro Franca Polo Club - duas salas, que retornam no dia 4;
- Creche "Ângelo Verzola", no Jardim Dermínio - uma sala, que retoma no dia 5;
- Creche "Tia Glicéria", que fica no Residencial Júlio D'Elia - duas salas, que voltam no dia 4;
- Creche-escola "Luciene Ribeiro", no Residencial Eldorado - uma sala, que retorna no dia 5;
- "Lar de Ismália", no Jardim Paulistano - duas salas, retornam no dia 4;
- Creche São José, no Jardim Rivieira - uma sala, que volta no dia 4;
- Creche "Nossa Senhora da Conceição", no Jardim Parati - duas salas, cujas atividades serão retomadas no dia 8.
Orientação
A Prefeitura orienta os pais e responsáveis, diante do surgimento de sintomas, a levar a criança para receber atendimento médico e fique de repouso, evitando a transmissão da doença para outras pessoas.
Homero Rosa Júnior, médico da Vigilância Epidemiológica, explica que a doença tem um "caráter de temporadas, mas não obedece à estação do ano", como outras doenças. Segundo ele, dificilmente a criança vai apresentar gravidade ou óbito, mas pode ter uma grande dificuldade para se alimentar ou não conseguir comer quase nada, o que pode causar desidratação, perda de peso e enfraquecimento do sistema imunológico.
"A doença tem uma disseminação maior entre as crianças de 3 a 4 anos, justamente, porque são as que ficam em creches, berçários e maternais, tendo em vista que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e formação, o que faz com que elas adquiram doenças infecciosas mais fáceis", ressaltou o médico.
A doença
Os principais sintomas da doença são febre alta nos dias que antecedem o surgimento das lesões; aparecimento na boca, amídalas e faringe, de manchas vermelhas com vesículas branco-acinzentadas no centro, que podem evoluir para ulcerações muito dolorosas; erupção de pequenas bolhas, em geral, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, mas que pode ocorrer também nas nádegas e na região genital; mal-estar, falta de apetite, vômitos e diarreia; por causa da dor, surgem dificuldades para engolir e muita salivação.
A transmissão acontece pela via fecal/oral, através do contato direto entre as pessoas ou com as fezes, saliva e outras secreções, ou então através de alimentos e de objetos contaminados. Mesmo depois de recuperada, a pessoa pode transmitir o vírus pelas fezes durante, aproximadamente, quatro semanas. O período de incubação oscila entre um e sete dias. Na maioria dos casos, os sintomas são leves e podem ser confundidos com os do resfriado comum.
Não existe vacina contra a doença mão-pé-boca. Em geral, como ocorre com outras infecções por vírus, ela regride, espontaneamente, depois de alguns dias. Por isso, na maior parte dos casos, tratam-se apenas os sintomas. Medicamentos antivirais ficam reservados para os casos mais graves. O ideal é que o paciente permaneça em repouso, tome bastante líquido e alimente-se bem.
O retorno às atividades só deve acontecer, após a criança estar 24 horas sem febre, e com todas as feridas cicatrizadas.