Um projeto que tramita na Câmara Municipal de Ribeirão Corrente vem gerando muita discussão na cidade, que fica a 30 km de Franca. A prefeita Ana Montanher (PSDB) quer investir R$ 1,3 milhão em um novo prédio que passaria a abrigar o Poder Legislativo.
A proposta que solicita abertura de crédito no orçamento da Prefeitura para a obra diz: “O projeto visa abertura de crédito suplementar no valor de R$ 1,3 milhão, objetivando a viabilizar as obras e instalação de prédio público que será destinado para abrigar a sede do Legislativo Municipal”.
Parte dos vereadores e da população acredita que não é um momento para um investimento grande assim, com a cidade tendo outras prioridades. “Queremos melhor esclarecimento sobre esse investimento e se há necessidade, se é prioridade nesse momento”, disse Dione Castro, um dos líderes do movimento contrário à construção de uma nova sede para a Câmara.
O projeto estava na pauta da Câmara desta terça-feira, 27, mas acabou sendo retirado de votação, por conta que alguns vereadores também verificaram falta de clareza na proposta do Executivo, principalmente se o novo prédio ficaria sob a responsabilidade da Prefeitura ou se seria doado ao Poder Legislativo. Atualmente a Câmara de Vereadores funciona em um prédio pertencente à Prefeitura.
O vereador José Carlos Ferreira Moraes (PL) foi o primeiro a se manifestar contrário à votação em regime de urgência. “Eu vou pedir vista do projeto para mais análise”.
Em seguida, Mauro Aparecido Gonçalves (MDB) disse que a cidade tem outras prioridades e questionou como ficaria o prédio a ser construído. “Se for pra gente sair daqui de um prédio que já é da Prefeitura para ir para outro prédio da Prefeitura, então fica aqui, gastar dinheiro com esse prédio pra que, sendo que nossa cidade está precisando de tantas outras coisas”, questionou o parlamentar.
Carlos Adriano Miranda (PSDB) também discursou contrário o investimento. “Também considero descabido e um valor exorbitante. Acredito que há outras prioridades. Teria que ter um motivo muito forte para construir esse prédio para a Câmara. Sou contrário a esse projeto”.
O vereador Nelson Aparecido de Moraes Filho (União) cobrou uma planilha orçamentária do projeto para uma avaliação mais precisa. “Nós estamos tendo um desgaste muito grande por ficar pedindo (ao Executivo) pedaços de projetos. Se viesse um projeto mais detalhado, com prazo de construção, mais transparente, poderíamos discutir melhor as questões”.
Após muita discussão, os vereadores decidiram, por unanimidade, adiar a votação do projeto por uma sessão para se reunir com representantes do Executivo a fim de uma análise mais profunda da proposta.
O orçamento da Câmara de Ribeirão Corrente para este ano é de R$ 1,2 milhão, e segundo o departamento jurídico do Legislativo, a Casa de Leis não reúne estrutura para conduzir o processo licitatório para obra.