10 de julho de 2026
MERENDA ESCOLAR

Merendeiras apontam 'sobrecarga' após mudança de cardápio: 'Estamos esgotadas'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Agência Brasil
Além de cozinhar para mais pessoas, mudanças no cardápio exigem mais trabalho, espaço na cozinha e utensílios

A merenda escolar da rede municipal de Franca, que até poucos meses foi alvo de polêmica por servir aos alunos pão com frango e iogurte, volta a ser motivo de insatisfação. Desta vez, por parte das próprias merendeiras.

Um novo cardápio foi desenvolvido seguindo as determinações do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). O problema é que, por se tratar de um cardápio mais elaborado, as equipes da cozinha se queixam de sobrecarga e da falta de profissionais para atender toda a demanda.

Uma merendeira da rede que preferiu não se identificar ressaltou que na escola onde trabalha houve aumento no número de salas e de alunos. Além de ter que cozinhar para mais pessoas, as mudanças no cardápio exigem mais trabalho, espaço na cozinha e utensílios.

“Não é só fazer a comida. É servir, limpar, fazer a higiene, preparar os alimentos, receber mercadorias. A quantidade de coisas que tem que realizar está muito maior do que o tempo e a quantidade de funcionários que temos. Nossa escola precisaria de outra merendeira, porque não conseguimos fazer tudo e ainda ter horário para almoçar ou jantar, a depender do turno”, disse a merendeira.

Novo cardápio
Uma das diferenças do cardápio novo para o antigo é a inclusão de cachorros quentes, pavê, strogonoff, pipoca, geladinho, além dos pratos tradicionais como galinhada ou macarronada. Muitos são servidos no mesmo dia. “O pavê tem que deixar na geladeira por seis horas, não dá tempo. Também é impossível fazer 600 geladinhos no mesmo dia que temos que preparar o purê. Simplesmente não dá tempo”.

Apesar da dificuldade, até o momento o cardápio novo vem sendo implantado e cumprido aos poucos nas escolas da rede municipal. Na escola da merendeira, são quatro pessoas na cozinha: três profissionais responsáveis pelas refeições e mais uma profissional com restrição, ou seja, que não cozinha e nem lava. Até mesmo a direção da unidade já solicitou mais uma merendeira, mas nenhuma foi chamada.

“Não deixamos de realizar o cardápio, a gente faz das tripas o coração, mas estamos ficando esgotadas, doentes e isso vai fazer com que amanhã a gente seja essa merendeira não funcional (com restrições). A gente se mata de trabalhar para não deixar o aluno sem o alimento necessário, mas estamos sofrendo as consequências disso.”

Mais relatos
Outra merendeira que também pediu para ter sua identidade preservada confirmou que há sobrecargas nos funcionários e até falta de equipamentos ou utensílios necessários.

“Todas nós estamos de alguma forma com muito serviço. Não é que não queremos fazer, muito pelo contrário, nós amamos a profissão, mas as merendeiras contratadas são insuficientes. As meninas das escolas de período parcial estão sobrecarregadas. As meninas de período integral não estão conseguindo ir ao banheiro, muitas não conseguem fazer horário de almoço”.

Merendeiras na rede
Com mais de 50 escolas municipais em Franca, a Prefeitura tem 311 profissionais em seu quadro de merendeiras. Segundo o município, 60 deles foram contratados neste ano.

Sobre a contratação de mais merendeiras, a Prefeitura afirmou que apenas mais duas vagas serão repostas. “Só faltam duas reposições: um óbito e uma solicitação de exoneração do emprego público, que aconteceram recentemente. As demais vagas para merendeira estão preenchidas”.