Sem mais nenhuma alternativa, Márcia Albuquerque, alfabetizadora da rede municipal de Franca, vai para Portugal mesmo sem a liberação da Secretaria de Educação. A professora foi aprovada para participar de um curso de alfabetização no país, mas não conseguiu autorização da rede municipal para faltar sem prejuízo da remuneração ou repor as aulas perdidas durante o período do treinamento.
Para não perder a oportunidade, que traria benefícios não só para Márcia, mas também para a rede municipal de Educação, segundo ela, a professora optou por faltas injustificadas durante os dias 7 de novembro a 16 de dezembro – ou seja, sem a remuneração. “O que parecia um sonho se mostrou uma prova, porque além de perder o salário, vou perder pontuação e minhas férias. Se não fossem as folgas das eleições que tenho, perderia o meu cargo”, disse Márcia.
A professora e a Câmara de Vereadores encaminharam ofícios à Secretaria de Educação para que seja possível a liberação da servidora, mas a resposta foi que não há amparo legal para o abono das faltas durante os 11 dias de curso nem para a reposição das faltas.
A opção encontrada foi criar uma vaquinha on-line para arrecadar dinheiro, já que Márcia não tem outra fonte de renda a não ser a da Prefeitura. “Me senti frustrada, decepcionada. É irracional uma Secretaria Municipal da Educação não apoiar a Formação Continuada, então tive que abrir mão do meu orgulho e pedir ajuda de familiares, amigos. Nunca pensei que precisaria passar por isso”.
Márcia precisa arrecadar, em média, R$ 10 mil para que consiga manter as despesas em Franca – que incluem três filhos pequenos. A vaquinha pode ser acessada através deste link.