A doação de órgãos ainda é um tabu muito grande no Brasil. São poucas as famílias que tratam sobre o assunto antecipadamente e realizam a ação. Fugindo do padrão, a família de Aline dos Santos agiu diferente após a morte do irmão Alesson, de apenas 21 anos. Veja vídeo no final do texto.
O francano morreu em agosto do ano passado, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Por conta da morte ainda muito jovem, a família nunca teve a oportunidade de comentar com ele se desejaria doar seus órgãos. Coube, então, aos familiares tomarem a decisão.
A escolha, no entanto, não foi nada fácil. Aline conta que a mais receosa foi sua mãe. "Não sabíamos qual era o desejo dele e, por questões religiosas, minha mãe tinha medo de que o ato de doar fosse pecado", contou.
Após muita conversa, a decisão difícil foi tomada. A família decidiu doar os pulmões, o pâncreas, o fígado e os rins. "Não foi nada fácil (chegar até essa decisão) e o tempo também é muito curto. Há um conflito de emoções imenso", afirmou.
Apesar do medo inicial e mesmo sem saber quais pessoas foram ajudadas com a doação, a família hoje se sente bem em saber que Alesson seguiu ajudando após a morte. "A sensação de saber que ele ajudou a salvar tantas vidas é muito gratificante. De certa forma, nos deu força para passarmos pelo luto, ao pensar que um pedacinho dele ainda vive".
Neste ano, Aline foi convidada a participar da campanha Setembro Verde, que incentiva a doação de órgãos, da Santa Casa de Franca. Segundo ela, o convite foi aceito "porque acredito que as pessoas precisam se conscientizar da importância que é o ato de doar".
"Eu e minha família sabemos muito bem o quanto é difícil e doloroso esse processo de escolha, mas ajudar ao próximo a continuar sua vida é algo que vai além do medo e da insegurança", completou.
Para ajudar no processo, Aline ainda recomenda que o assunto seja conversado entre as famílias, para saber qual a melhor decisão a ser tomada no futuro. "É essencial que esse tema seja abordado com mais frequência", finalizou.