A Polícia Federal e a Receita Federal realizaram na manhã desta quinta-feira, 22, a operação Colossus, contra os crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os mandados de prisão, busca e apreensão foram feitas em 14 cidades, incluindo Franca.
De acordo com a Polícia Federal, os crimes foram praticados entre 2017 e 2021, e descobertos após um relatório de inteligência financeira, que teve acesso a movimentações bancárias suspeitas envolvendo a negociação de criptomoedas. Os suspeitos se dividiam em grupos para praticarem o crime - arbitradores; exchanges e empresas de fachada.
“O grupo dos arbitradores era responsável pela aquisição de grandes quantidades ativos virtuais no exterior, em países como Estados Unidos da América, Cingapura e Hong Kong, e a sua venda no Brasil. Para tanto, foram realizadas remessas de valores para o exterior na ordem de mais de R$ 18 bilhões”, afirmou a Polícia Federal.
Ao todo foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva; 37 de busca e apreensão para 22 pessoas físicas e 15 de pessoas jurídicas. Entre as pessoas jurídicas, estão seis exchanges - plataforma digital onde se negocia criptomoedas, como bitcoin -, três escritórios de contabilidade e quatro instituições autorizadas pelo Banco Central a operar no mercado de câmbio.
“O grupo das exchanges era responsável pela compra dos ativos virtuais dos arbitradores e a sua revenda para pessoas físicas e jurídicas, com fortes indícios de envolvimento em ilícitos antecedentes”, continuou a Polícia Federal.
Além de Franca, os alvos estavam nas cidades paulistas de São Paulo, Guarulhos, Campinas, Santo André, Mogi das Cruzes, Barueri; e também em Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Florianópolis (SC), Caxias do Sul (RS), Recife (PE) e Curitiba (PR).
Na ação da PF, foi determinado o bloqueio de R$ 1 bilhão em bens e valores dos investigados.
“O grupo formado por empresas de fachada que adquiriam os criptoativos das exchanges tinha a finalidade de lavagem de dinheiro. Chama atenção o fato de, dentre os clientes dessas, existirem pessoas mortas, beneficiários de programas assistenciais, idosos com mais de 90 anos de idade, doleiros, contrabandistas e comerciantes de bairros de comércio popular de diversas cidades do país, em especial do Brás e da 25 de Março, em São Paulo”, informou a PF, em nota.
Investigação
Durante as investigações, foi descoberto que um único contador era responsável por mais de 1,3 mil empresas sediadas no comércio popular de São Paulo, a maioria de fachada. “Durante o período investigado, as empresas administradas por esse contador movimentaram, aproximadamente, R$ 1 bilhão com os arbitradores e as exchanges investigadas”.
Outras operações policiais foram feitas durante o período da investigação e, quando eram deflagradas, as empresas de fachadas eram fechadas e novas empresas eram abertas. Ainda segundo a PF, há casos de empresas de fachada que já estão na terceira geração.
A suspeita é que em quatro anos o grupo tenha movimentado mais de R$ 61 bilhões através do sistema bancário formal.
“Devido à regulação atual e à falta de controle mais efetivo, os investigados revenderam ativos virtuais a pessoas físicas e jurídicas interessadas em lavar valores oriundos de crimes. As investigações apontam que, durante os anos de 2017 e 2019, os ativos virtuais preferidos pelos investigados, para fins de ocultação de valores e/ou remessa para o exterior eram o Bitcoin. Porém, devido à sua grande volatilidade, a partir de 2020, a bitcoin foi substituído por outros ativos virtuais pareados a moedas estrangeiras como o dólar americano, denominados de stablecoins, cuja variação de valor é menor”, informou a Polícia Federal.
Os investigados responderão por evasão de divisas, lavagem de dinheiro a associação criminosa, dentre outros crimes, cujas penas máximas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.