11 de julho de 2026
DESAFIOS

Recenseadores enfrentam resistência de moradores em Franca; 'desculpas absurdas'

Por Gabriel Garcia | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Kelly Ubiali, recenseadora do IBGE, em ação na pesquisa do Censo 2022

Por má vontade e falta de conhecimento dos moradores, o trabalho dos recenseadores que realizam a pesquisa do Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em Franca está sendo mais difícil do que o necessário. O prejuízo é o atraso na conclusão do Censo 2022.

Uma sondagem realizada pela reportagem entre os recenseadores mostra que a cada dez casas visitadas, em apenas oito é possível realizar a pesquisa do Censo conforme deve ser feita. Os recenseadores explicam o fato com a falta de vontade ou até mesmo de conhecimento daqueles moradores que se recusam a participar do Censo.

“Existem coisas boas e coisas ruins. As boas é que existem muitas pessoas que nos recebem bem, que nos dão atenção, até mesmo recebemos alguns mimos”, falou rindo a recenseadora Denise Savaris.

“Agora, infelizmente, existem outras pessoas que também, ou por falta de informação, são grosseiras e não nos atendem, nos deixam na porta esperando, nos maltratam. A gente fica chateada, às vezes até magoada, porque precisamos desse trabalho. É um trabalho! A gente não está ali para ser maltratada pelas pessoas”, finaliza Denise.

E não só com grosseria os recenseadores são tratados. Muitas vezes acabam escutando desculpas "absurdas" dos moradores que querem fugir da pesquisa de qualquer maneira. “Realmente o número de pessoas que demonstram desinteresse em responder à pesquisa está muito alto.

A maioria diz que está no banho ou que no momento está cuidando de crianças pequenas e que não podem responder agora”, disse Wilson Grossi Filho, recenseador pela primeira vez e que trabalha com essa função há um mês e meio.

“A desculpa mais absurda que encontrei foi a de uma senhora dizendo que o marido foi trabalhar e que levou a chave da porta e que ela não poderia abrir, somente quando o marido chegasse à noite”, relatou Wilson.

Alguns já colecionam desculpas no caderno, como o caso da recenseadora Kelly Ubiali. “Sim, um morador estava saindo, aí disse que ia levar a esposa no médico, e a filha desmentiu na cara. Em outra, uma criança que me atendeu, perguntei dos pais, disse que a mãe estava dormindo, eram 9h, aí a mãe viu que estava demorando e disse ‘vem para dentro, não vou atender ninguém’”, relata Kelly.

As dificuldades para Kelly se dão pela falta de colaboração dos moradores. Ainda mais quando o tópico é o CPF. Nesta última sexta-feira, 16, em pesquisa, a irmã de uma moradora “aflorou os nervos” e começou a brigar com elas, dizendo “Para quê isso? É informação demais” e disse que não daria autorização para maiores dados.

Rosa Silveira, também recenseadora, enfrentou, assim como Denise, ignorância sobre o que é o Censo. “O morador me disse que nunca ouviu falar do Censo do IBGE e que não iria responder o questionário porque o governo queria pegar dinheiro dele”, disse Rosa.

Outro morador se recusou a participar da pesquisa porque “não era obrigado a dar resposta ao governo”, segundo Denise. Um engano comum que pode ser esclarecido segundo a Lei nº 5.534: “Toda pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, é obrigada a prestar as informações solicitadas pelo IBGE”.

Censo em andamento
Durante a última reunião do IBGE, no dia 8 de setembro, os números sobre o Censo 2022 ressaltaram a importância de um trabalho mais elaborado e com maior ênfase na divulgação. O objetivo do encontro era trazer uma maior taxa de satisfação em relação à conclusão do trabalho em Franca.

De acordo com os últimos dados, apenas 30% dos domicílios foram visitados em Franca, e esse índice preocupa o técnico Marcos Gallo.

Em Franca, ao todo são 698 setores, englobando o rural e urbano, mas apenas 114 setores haviam sido concluídos na ocasião. Estão em andamento 248 setores, sendo assim 336 ainda não foram sequer iniciados.