Cerca de 350 profissionais e estudantes da área de enfermagem se manifestaram contra a suspensão da Lei 14.434/22, que instituiu o piso da categoria, nesta sexta-feira, 9.
O protesto teve início às 7h30, na Escola Industrial, caminhou até a Santa Casa, em seguida, percorreu o caminho até a Prefeitura e retornou à Industrial, onde o movimento foi encerrado, por volta de 9h40.
A manifestação é uma reação à suspensão da lei que institui o piso salarial aos profissionais de enfermagem. A decisão foi tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, no último domingo, 4.
Com gritos de "se o piso não chegar, olê olê olá, a enfermagem vai parar", os manifestantes criticavam a decisão de Barroso, o culpando por possíveis problemas que a decisão poderá causar.
Uma das líderes do protesto, a professora de enfermagem Sandra Lúcia de Andrade, disse que espera há anos pela aprovação do piso salarial e se decepcionou quando viu cair por água abaixo. "Trabalho como profissional de enfermagem desde os 15 anos e, desde então, aguardo por esse salário. Nós estamos cansados de nos enganarem. Sem a enfermagem, não existe hospital, saúde pública nem vacinação", disse.
Para Sandra, o pagamento do piso salarial serviria como reconhecimento para uma classe que tanto trabalhou na pandemia e "está doente". "Tudo que fizemos durante a pandemia nos causou transtorno de ansiedade, pânico (...) a enfermagem está doente. Até que o ministro revogue a decisão, nós estamos de luto".
A expectativa dos profissionais é de que a decisão seja revogada em breve. "A gente espera que o ministro Barroso coloque a mão na consciência e perceba que a enfemagem pode cuidar dele, da família dele e dos netos. O problema é que eles não pensam nisso".
O Supremo Tribunal Federal está julgando a decisão do ministro, para decidir se será mantida ou não a suspensão. Enquanto isso, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), se movimenta para tentar uma fonte de recursos para cobrir as possíveis despesas que o piso pode gerar.
Caso a decisão do Supremo não seja favorável à manutenção do piso, Sandra afirma que outras manifestações acontecerão. "Não vamos abandonar nossas obrigações, tanto é que nem todos puderam vir porque estão de plantão, mas nós continuaremos. Terça-feira estaremos na Câmara Municipal e ainda hoje (sexta-feira), às 13h, voltaremos aqui na Industrial para protestar", finalizou.