Sem a presença de chefes de outros Poderes e em meio à campanha de contestação do Judiciário e do sistema eleitoral, o cerimonial mudou a disposição dos anos pré-pandemia, colocando os três comandantes militares atrás de Bolsonaro (antes eles ficavam ao lado, mais distantes).
Em destaque, o ministro Paulo Sérgio Oliveira (Defesa), que endossou os questionamentos às urnas no TSE, e o vice na chapa à reeleição de Bolsonaro e antecessor de Oliveira, general Walter Braga Netto. Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso, não apareceu - em 2019, no último desfile antes da pandemia, David Alcolumbre estava ao lado do presidente. Nem o aliado Arthur Lira (Câmara) deu as caras nesta quarta.
Ausentes
Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), escreveram mensagens sobre o feriado de 7 de setembro no Twitter. Ambos não participaram dos desfiles desta quarta-feira. Pacheco disse que as comemorações "precisam ser pacíficas, respeitosas e celebrar o amor à pátria, à democracia e o Estado de Direito". Já Lira afirmou que "o Brasil independente é sempre o que olha para frente".
"Há 200 anos, começava a nascer o Brasil de hoje, com um futuro de desafios, decisões difíceis mas necessárias e grandes conquistas a alcançar. O 7 de set de 200 anos atrás continua ecoando nas ações e nos compromissos de todos", afirmou.
Rodrigo Pacheco já havia avisado a interlocutores que não iria ao desfile em Brasília caso avaliasse que o evento poderia virar palanque eleitoral conduzido pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que a sessão solene do Congresso prevista para o dia 8 será "uma solenidade verdadeiramente cívica", com presença de Bolsonaro, o presidente do Supremo, Luiz Fux, e chefes de Estado.
Cartazes golpistas
O público que acompanha o desfile de 7 de Setembro em Brasília fez coro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, um dos principais alvos dos discursos do presidente Jair Bolsonaro. Depois de gritar "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão", manifestantes adaptaram a frase para "Lula, Xandão, seu lugar é na prisão".
Assim como em 2021, é possível ver faixas e cartazes contra o STF e a favor de um golpe militar. "Presidente Bolsonaro, acione as Forças Armadas para estabelecer há [sic] ordem", pede uma das faixas estendidas na arquibancada.
Outros cartazes dizem ainda: "Queremos eleições limpas e intervenção urgente no STF"; "Liberdade/Limpeza no STF/ Nós confiamos nas Forças Armadas"; "Destituição imediata dos ministros do STF"; "Supremo é o povo".
Uma das camisetas à venda na Esplanada dos Ministérios mostra uma caricatura do presidente apontando um fuzil para o ex-presidente Lula com a frase: "Cala a boca comunista ladrão!".