A produção cafeeira em Franca atingiu seu ápice neste ano. Dados da ComexStat, plataforma do Ministério da Economia com informações do mercado de exportações, apontam que os cafeicultores francanos exportaram US$ 64.063.930, até julho de 2022. Apesar da alta produção, a mão de obra formal no setor é praticamente inexistente, com apenas 809 trabalhadores, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Como comparativo do salto de produção, até julho de 2021, apenas US$ 32.853.606 foram exportados pelo setor cafeeiro de Franca. No mesmo período deste ano, o valor dobrou. O número de trabalhadores formais, no entanto, subiu apenas de 710, em julho de 2021, para os 809 deste ano.
A explicação para este fenômeno de super produção, mesmo com baixa mão de obra formal, é a concentração em trabalhadores temporários. O cafeicultor Marcelo Jordão conta que, durante a época de colheita, é comum uma fazenda de café aumentar em dez vezes o quadro de funcionários. “Uma fazenda que costuma ter oito pessoas fixas, em um período de colheita, contrata mais uns 80 trabalhadores temporários”, conta.
O período de colheita mencionado por Jordão costuma acontecer entre abril e agosto. Neste ano, o intervalo foi responsável por 60% das exportações deste ano. Quanto às contratações, é notável o crescimento até de contratos formais. Como citado, em julho do último ano eram 710 trabalhadores formais. Em dezembro, a quantia caiu para 686 e foi disparar apenas em maio, aumentando para 769 trabalhadores.
Justamente neste período, as fazendas buscam por trabalhadores de vários Estados do país, principalmente Bahia e Minas Gerais. “Temos muitos funcionários que vêm do Nordeste. Muitos também são de municípios aqui da região. Daí, quando o contrato temporário deles termina, eles vão embora para as suas cidades”.
As exigências para conseguir um emprego na área não são complicadas. De acordo com o cafeicultor, basta o conhecimento da vivência rural. “A gente exige aptidão no trabalho rural, para a pessoa fazer serviços como de capina, por exemplo”.
A preferência por contratar um funcionário temporário, inclusive, é maior do que a de investir milhões em um maquinário. “O acesso às máquinas reduz sim a necessidade de investir em mão de obra, mas isso em partes. Temos cuidados manuais que não são possíveis substituir com o maquinário”.