No último sábado, 27, aconteceu uma discussão entre duas mulheres em um bar de Franca. Tudo começou a partir de um esbarrão, sem intenções, que resultou em uma das clientes expulsa do local. Apesar de desentendimentos desse tipo serem comuns, houve questionamento sobre a conduta do bar de apenas retirar a cliente negra, sendo que as duas estavam envolvidas na confusão.
A modelo internacional Jhenifer Francisco estava no bar com uma amiga quando esbarrou na outra mulher. Segundo ela, o pedido de desculpas veio em seguida, mas isso não foi o suficiente para evitar o atrito.
“Eu pedi desculpas, mas ela começou a agredir verbalmente. Ela já grudou no meu cabelo, e, para me defender, eu fui tentar tirar a mão dela, peguei no cabelo dela também, e nisso veio o segurança me agarrando com os dois braços pela cintura e queria me arrastar para fora do bar”, falou Jhenifer.
Segundo a modelo, não houve diálogo por parte do segurança, mas ela disse que se retiraria sozinha e seguiu até a porta. Ao sair, questionou se a outra mulher – mulher branca – envolvida na confusão também não seria retirada.
“A primeira pergunta que fiz foi: ‘cadê a menina que me bateu, por que ela não está aqui fora?’”, falou Jhenifer. “Eu não comecei a briga, eu esbarrei sem querer. A partir do momento que uma mulher branca se sente no direito de me agredir verbalmente, fisicamente, e eu sou colocada para fora, isso é racismo. Eu fui colocada para fora, mas se nós duas entramos em uma briga corporal, nós duas teríamos que ser retiradas. Isso é racismo”.
A polícia foi acionada, mas mesmo depois de 40 minutos nenhuma viatura chegou ao local. Ainda assim, Jhenifer registrou um boletim de ocorrência a respeito da conduta do bar. "Foi a situação mais humilhante que eu passei na vida. Não foi a primeira vez que sofri racismo e não vai ser a última. Tive minha honra ferida”.
A modelo lamentou a situação em que foi envolvida. “Deixei de ser vítima para ser a agressora de uma coisa que não é verdade”.
Quem é
Jhenifer, de 26 anos, é modelo desde os 13 anos de idade. Já morou no Rio de Janeiro, Ribeirão Preto e esteve na Itália para realizar trabalhos com diversas marcas e artistas.
Resposta do bar
Em resposta aos questionamentos, o perfil do bar em rede social publicou uma nota a respeito do ocorrido. Segundo os responsáveis do local onde aconteceu a briga, o estabelecimento repudia toda e qualquer confusão ou discussão, e casos de agressão entre os clientes são tratados da mesma maneira.
“A pessoa que inicia a briga/confusão é convidada a se retirar, independente de sexo, cor, credo ou orientação sexual. Dessa forma, tomamos o cuidado de analisar minuciosamente as imagens das câmeras de segurança e nenhum ato de racismo foi identificado, apenas o início da confusão pela cliente reclamante e a atuação dos seguranças para a solução do conflito”, dizia a postagem.
O Portal GCN procurou o bar, mas os responsáveis afirmaram que a nota era o único posicionamento sobre o ocorrido e que, se solicitado pelas autoridades, as imagens das câmeras serão disponibilizadas.
Matéria atualizada às 20h49