11 de julho de 2026
SUPERAÇÃO

Psicóloga recém-casada descobre câncer aos 25 anos: 'a oração tem sido a chave'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Beatriz Ferrari: aos 25 anos, descobriu um câncer já em estágio avançado que mudou completamente a sua vida

Recém-casados, Beatriz Ferrari e seu marido Lucas Silva colecionavam sonhos e planos de uma vida a dois. O primeiro deles, um apartamento, quando muito próximo de ser realizado, teve que ser adiado. Isso porque Beatriz, aos seus 25 anos, descobriu um câncer já em estágio avançado que mudou completamente a sua vida.

Tudo começou ainda em 2021, quando a psicóloga sentiu dores na coluna e resolveu procurar um médico. O primeiro deles pediu um ultrassom porque, como Beatriz já tinha tido covid-19 por duas vezes, suspeitou que poderia ser algo nos rins. O resultado do exame foi surpreendente e revelou não só o que havia de errado na coluna, como um nódulo no baço, órgão responsável pela imunidade do corpo humano.

“Descobri meio que por acaso. Na verdade, não foi por acaso, porque nada nessa vida é por acaso, mas descobri do nada, não estava procurando e encontrei. Depois disso nunca mais tive paz. Comecei a procurar vários médicos para tentar descobrir o que era o nódulo, e tudo que resultava era um nódulo de origem não especificado. Como eu não tinha sintomas, só tinha dor na coluna e corpo, um dos médicos falou que não era nada relacionado a câncer, que eu podia ficar tranquila. Outros médicos me disseram a mesma coisa”, falou a jovem.

Mesmo com acompanhamento médico, no ano de 2021 todo não houve nenhum diagnóstico de câncer. Beatriz estava confiante nos profissionais, mas percebia que todos os meses ficava doente ou apresentava algum problema de saúde, como alergias, por exemplo. Em março deste ano, uma das médicas de Beatriz solicitou uma tomografia que indicou que o nódulo já tinha crescido muito dentro do baço.

Imediatamente ela foi encaminhada para um cirurgião oncológico, já que havia mais claridade da situação, e a cirurgia do baço foi marcada. “Se eu achar que é um tumor maligno, vou tirar tudo, o baço e o tumor. Senão, tiro só o tumor e a gente envia para a biópsia”, foram as palavras que Beatriz ouvir do médico, que quando viu a situação do órgão, já muito afetado, optou por retirar tudo. Um procedimento complicado, que levou Beatriz a uma hemorragia e mais de 25 pontos na barriga. Depois de 15 dias, o resultado: linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer no sistema linfático.

“A médica disse que tinha duas notícias para me dar, uma ruim, que era o câncer, e a outra era que esse câncer tem uma alta chance de cura, 80%”, disse Beatriz. “Quando ouvi isso, não foquei no que ela disse da cura, foi muito triste para mim. Meu mundo caiu, estava com três meses de casada, e todos os planos que eu tinha foram por água abaixo com essa notícia. Eu saí do consultório, sentei na própria recepção e comecei a chorar. Foi o fim, porque quando a gente descobre, a gente não pensa na cura, pensa:’ pronto, acabou, morri’. Fiquei me perguntando por que isso estava acontecendo, porque Deus me deixou casar se eu ia morrer”.

Depois do diagnóstico, Beatriz realizou um outro tipo de tomografia – dessa vez, um que apresentava o grau em que o câncer se encontrava. Para mais uma surpresa, a doença já estava no estágio três, o que abalou mais ainda a psicóloga, que pensava que, se descoberto quando ela se queixou de dor pela primeira vez, poderia ter sido mais certa a cura.

Ainda assim, a médica afirmou que as chances de cura eram muito altas, e o tratamento foi iniciado: no total, 12 sessões de quimioterapia realizadas de 15 em 15 dias. Beatriz está quase na metade delas, e junto a isso, uma nova etapa de desafios: medo, dores, fraqueza, incertezas e autoestima.

“Quando comecei a fazer a quimioterapia, eu não imaginei que meu cabelo fosse cair tão rápido, sabia que ia cair, mas não sabia que ia ser tão rápido. Na segunda sessão de quimioterapia, o meu cabelo começou a cair. Eu passava a mão, caía bastante, ia pentear, saíam tufos de cabelo. Isso mexeu muito com o meu psicológico. Fiquei muito mal, chorava muito, fiquei com muito medo. Era recém-casada, e pensava: 'Nossa, meu marido já tá suportando tanta coisa, ainda vai olhar para o lado e ver uma pessoa careca. Ele não vai mais querer ficar comigo'”, pensava.

Pelo contrário, o marido esteve e está ao lado de Beatriz desde o início, com muito apoio e fé de que essa será uma batalha vencida. Não só Lucas, como toda a família da jovem une forças e orações para que o tratamento e recuperação sejam bem-sucedidos.

“Apoio eu tenho muito da minha família, a família do meu pai, minhas tias, minha avó, minha mãe, marido, então sobre apoio não posso reclamar de nada. Mesmo assim o psicológico da gente fica muito mal, porque é uma bagagem muito pesada. Estava acontecendo muita coisa na minha vida. Eu e meu marido tinham conseguido aprovação para financiar um apartamento do jeito que a gente queria, parei de trabalhar com o que eu gostava, umas coisas como essa que eu fiquei pausando”.

Esperança
Foi através do apoio e da vontade de vencer que, mesmo com todas as áreas de sua vida abaladas, Beatriz resolveu driblar as dificuldades – entre elas a falta do cabelo – e se apegar à certeza da cura. Nas redes sociais, fez amizades com pacientes que passam ou passaram pela mesma situação que ela e faz dos relatos alheios e da fé a sua esperança, mesmo que alguns dias sejam mais difíceis que outros.

“A oração tem sido a chave. Não são todos os dias que estou bem, para cima. Tem dias que tenho medo de morrer, porque sou humana, sou fraca, e isso é normal. Mas essa força vem de Deus. Não tem explicação humana. Para enfrentar o câncer, só com a força de Deus, porque é muito pesado, a bagagem é pesada, os sintomas, o tratamento é triste, família sofre, cabelo cai. É Deus minha força, eu busco em Deus, e daí vem a força para minhas postagens.”

Postagens essas com palavras e afirmações positivas que ajudaram Beatriz a aceitar o desafio no qual foi intimada a vencer. Depois disso, o fardo ficou mais leve, e segundo a própria jovem, “seguir rumo à cura”.