Dois anos de angústia para a família de Wesley Pires Alves Filho e um caso intrigante para a Polícia. Neste domingo, completam-se dois anos do desaparecimento do garoto, então com 13 anos. Dia 28 de agosto de 2020, Wesley saiu de sua casa, no Jardim Aeroporto I, zona sul de Franca, dizendo para suas duas irmãs que iria a um varejão próximo à sua casa. Nunca mais voltou.
Ao longo desses dois anos, a família recebeu inúmeras informações falsas de pessoas que disseram ter visto Wesley em várias cidades, sofreu tentativa de golpe e passou a conviver com o fantasma de o filho ter sido morto. Na esperança de encontrar o filho, os pais estão oferecendo uma recompensa de R$ 100 mil para quem dar uma pista concreta do filho.
As últimas imagens que se tem do adolescente foram gravadas por câmeras de segurança na tarde do dia do sumiço, uma sexta-feira. Nas imagens, Weslinho, como é chamado pela família, aparece caminhando sozinho em ruas do Jardim Flórida, Vila Real e Recanto Elimar, bairro onde fica a escola estadual Professor Vicente Minicucci, onde ele estudava.
Em outras imagens, o garoto cruza a avenida Emílio Paludeto, no Elimar, e entra em um pasto que dá acesso a uma mata. Isso às 17h20. Em seguida, às 17h35, uma nova imagem, gravada por uma câmera de uma empresa (pesque-pague), que fica na rodovia Ronan Rocha, mostra o estudante empurrando uma bicicleta no acostamento da rodovia, que liga Franca a Patrocínio Paulista.
A bicicleta teria sido furtada momentos antes por Wesley, na porta de um estabelecimento comercial, localizado no Jardim Aeroporto, que fica cerca de um quilômetro do pesque-pague. A partir daí, o garoto nunca mais foi visto.
A família iniciou buscas por Weslinho durante toda a noite, registrando boletim de ocorrência de desaparecimento no dia seguinte. Mas, segundo a mãe do garoto, Camila Alves, a Polícia Civil só iniciou os trabalhos de busca na segunda-feira seguinte. Amigos e familiares fizeram buscas por todo o complexo dos bairros da região e na área rural das proximidades, sem encontrar pistas do menino.
Uma das últimas imagens que se tem do garoto registrada por câmeras de segurança
O tempo passava e a família recebia constantes informações de várias localidades de pessoas dizendo ter visto Weslinho. Os pais do garoto foram em todos os locais indicados, mas as pistas sempre eram falsas. A pista mais contundente foi um mês depois do desaparecimento, com um motorista de van dizendo que transportou Wesley de Serrana até Ribeirão Preto. Mas sem imagens, não teve com constatar a veracidade da informação.
Em novembro de 2021, uma postagem em um grupo criado para informações do paradeiro do menino no Facebook com o nome “Volta Wesley”, abalou ainda mais a família do garoto. A mensagem publicada deu nova versão ao sumiço do garoto. Uma pessoa usando um perfil falso postou que Wesley teria sido espancado e levado um tiro por ter furtado a bicicleta, que seria aquela que ele aparece empurrando na rodovia. Com isso, os pais de Wesley passaram a cobrar uma investigação mais aprofundada da Polícia Civil. A polícia ouviu várias pessoas e fez diligências na tentativa de montar o quebra-cabeça.
Na última live, feita em abril pela mãe do garoto, Camila Alves, ela disse que está evitando as redes sociais por não ter novidades sobre o filho. “Eu sigo esperando uma pista, uma notícia verdadeira, seja uma coisa boa ou uma coisa ruim. Eu preciso saber. Eu preciso que as pessoas denunciem no lugar certo, que é na delegacia”.
Camila foi procurada pela reportagem nessa semana para falar sobre esses dois anos sem o filho e das investigações da polícia, já que o caso de desaparecimento foi transferido para o setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Mas Camila preferiu o silêncio.
Investigação
Pais de Wesley realizaram inúmeras buscas pelo filho
O delegado da DIG Márcio Murari disse que as investigações sobre o sumiço de Wesley permanecem abertas. “O trabalho de investigação continua. Nós não podemos encerrar as investigações. Enquanto não houver uma solução, a sua localização, ou saber o que aconteceu, nós não podemos encerrar”, disse o delegado recentemente.