Brinquedos, utensílios domésticos, salgadinhos e várias bugigangas. Tudo isso era encontrado por um preço super barato nos lojões de R$ 1 e R$ 1,99. Antigamente, eram vários espalhados pela cidade, com um ótimo custo-benefício, mas, depois da pandemia, muitos desapareceram e os que restaram não conseguiram manter todas as suas vendas nessa faixa de preço.
A cuidadora de idosos Ana Cristina, que mora no Jardim Paulistano, conta que ia com frequência até as lojas deste tipo, mas, hoje em dia, não encontra mais. “Comprava brinquedos, plásticos, doces. Hoje, não consigo encontrar estes mesmos produtos por esse preço. Agora não existe mais nada, só o nome”, conta.
Além dos preços em conta, as lojas também garantiam boas memórias aos francanos. Uma delas é da costureira Tânia Aparecida, em um Natal quando comprou vários brinquedos para o filho em uma loja de R$ 1.
“Teve um Natal que minhas filhas escolheram uma máquina de sorvete e outra de chocolate. Já meu filho não sabia o que ele queria. Eu então peguei uma caixa bem grande e fui no R$ 1, pra pegar vários brinquedos. Eram muitos brinquedos. Lembro dele falando que foi o melhor Natal dele”, relembrou.
Tanto Ana quanto Tânia falam com boas lembranças de uma loja do tipo que ficava localizada na rua Voluntários da Franca, próxima ao INSS. Elas também se recordam de outra que ficava na avenida Adhemar Pereira de Barros, mas que hoje foi substituída por um depósito de bebidas.
Apesar do sumiço de grande parte destes estabelecimentos, alguns ainda conseguem se manter no segmento. Este é o caso do Shopping do 1 Real, aberto em 2018, no antigo prédio do AEC Castelinho, na rua Monsenhor Rosa, e que conta com uma segunda unidade na rua General Carneiro, na Estação.
A manutenção da loja nos últimos anos tem sido motivo de muito orgulho para a proprietária Cristiane Oliveira Pádua. “Pra mim, em particular, é uma honra conseguir manter a loja nesse segmento. Cada produto que chega na loja é motivo de muito agradecimento, até porque são produtos que agregam muito na vida de cada família. Ainda mais neste momento que estamos vivendo”.
De acordo com Cristiane, a loja tem a possibilidade de vender os produtos neste preço por fazer parte de um grande grupo de lojistas. Com isso, os produtos saem mais em conta das distribuidoras. “Se comprássemos só nós, não conseguiríamos nos manter com esses preços que temos”.
Mesmo com esse poder de compra, Cristiane afirma que existe uma dificuldade em garantir os valores mais baixos, que dão lucro “graças ao giro” de vendas. Justamente por isso, durante a pandemia, ela teve que se readequar e passou a oferecer produtos mais caros. Hoje em dia, 60% da sua loja é vendida por R$ 1. “Vendo muito alimento, em especial, aqueles salgadinhos de trigo. Vendo também alguns utensílios domésticos, mas não são muitos de R$ 1”.